Uma equipe de pesquisadores  do Irã,  demonstraram  como uma dose diária de probióticos utilizados por 3 meses pode ser efetiva para melhorar a memória e as habilidades de pensamento em indivíduos com doença de Alzheimer.

Eles descobriram que pacientes com Alzheimer que consumiam leite enriquecido com bactérias vivas benéficas todos os dias, durante 12 semanas, demostraram melhorias significativas no funcionamento cognitivo.

O autor de estudo, Prof. Mahmoud Salami, da Universidade de Kashan no Irã, e colaboradores.

Probióticos podem ser definidos como suplementos alimentares que contêm microrganismos vivos, ou componentes microbianos que, quando ingeridos em determinado número, apresentam efeito benéfico sobre a saúde e bem-estar do hospedeiro. São capazes de melhorar o equilíbrio microbiano intestinal produzindo efeitos positivos à saúde do indivíduo. Estes incluem grupos bacterianos como Lactobacillus e Bifidobacterium, bem como leveduras, incluindo Saccharomyces boulardii.

As células probióticas depois de ingeridas devem ser capazes de sobreviver às condições de estresse presentes no trato gastrointestinal, como suco gástrico, sais biliares e enzimas digestivas e manter sua viabilidade e atividade metabólica no intestino para exercerem os efeitos benéficos aos hospedeiros. Quanto aos desafios tecnológicos para a produção industrial de células, estas devem manter-se estáveis e viáveis em níveis satisfatórios durante todo o prazo de validade do produto.

De acordo com o Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa, os probióticos podem atuar de várias maneiras, pois ajudam a criar uma comunidade favorável de micróbios no intestino, afim de ajudar a estimular a resposta imune.

A pesquisa demostrou que esses micro-organismos amigáveis ​​- muitos dos quais são adicionados a produtos alimentares, medicamentos tópicos e suplementos dietéticos – podem ajudar a proteger contra inúmeras infecções e doenças, incluindo síndrome do intestino irritável, eczema, certas alergias e resfriados..

Estudos anteriores feitos em cobaias também demostraram o poder dos probióticos para melhorar a aprendizagem e a memória – uma associação que foi atribuída a alterações benéficas no microbioma intestinal que afetam o cérebro. Se os probióticos têm o mesmo efeito em seres humanos, no entanto, está claro..

Resultados de funcionamento cognitivo melhorados com probióticos

Neste estudo o pesquisador chefe e equipe decidiram determinar os efeitos dos probióticos sobre o funcionamento cognitivo de 52 homens e mulheres de 60 a 95 anos que tinham sido diagnosticados com doença de Alzheimer.

Os participantes foram distribuidospara um dos dois grupos. Um grupo foi orientado a beber 200 mililitros de leite normal todos os dias durante 12 semanas, enquanto o outro grupo bebeu 200 mililitros de leite contendo quatro bactérias probióticas: Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus casei, Lactobacillus fermentum e Bifidobacterium bifidum.

Antes e depois do período de estudo de 12 semanas, os pesquisadores coletaram amostras de sangue dos participantes, e o funcionamento cognitivo dos sujeitos foi avaliado utilizando a escala do Mini-Mental State Examination (MEEM).

Em comparação com os participantes que consumiram o leite não tratado, aqueles que receberam o leite enriquecido com probiótico demonstraram melhorias significativas no funcionamento cognitivo, informou a equipe.

Os indivíduos que consumiram o leite tratado viram que os escores médios do MEEM aumentaram de 8,7 para 10,6 (de um total l de 30) durante o período de estudo de 12 semanas, enquanto as pontuações caíram de 8,5 para 8,0 para aqueles que beberam o leite não tratado.

Os pesquisadores enfatizam que todos os participantes se encontravam prejudicados cognitivamente, e que seus  achados são os primeiros a mostrar que os probióticos podem levar a melhorias cognitivas.

Em um estudo anterior, os mesmos pesquisadores demonstraram que o tratamento probiótico melhora a aprendizagem espacial e a memória em ratos cobaias diabéticos cognitivamente afetados , mas esta é a primeira vez que a suplementação probiótica demonstrou beneficiar a cognição em humanos cognitivamente comprometidos.

Ao avaliar as amostras de sangue dos participantes, os pesquisadores descobriram que os indivíduos que consumiam probióticos também apresentaram níveis mais baixos de triglicerídeos,  de colesterol de lipoproteínas de baixa densidade (VLDL) “ruim” e proteína reativa C de alta sensibilidade reduzida – um marcador para processos inflamatórios.

Além disso, os participantes que receberam probióticos,  demostraram redução em duas medidas de resistência à insulina e no funcionamento das células beta produtoras de insulina no pâncreas – HOMA-IR e HOMA-B.

Walter Lukiw, professor da Universidade Estadual da Louisiana, que não estava envolvido no estudo, considera que os achados da equipe são “interessantes e importantes”, observando que eles fornecem mais evidências de um vínculo entre o microbioma intestinal e o funcionamento cognitivo.

Este estudo  está de acordo com outros  estudos recentes que indicam que o microbioma do trato gastrointestinal [GI] na doença de Alzheimer é significativamente alterado em sua composição quando comparado aos casos  controles combinados com a idade,  e que as barreiras do trato GI e do sangue-cérebro se tornam significativamente frágeis  com o envelhecimento, permitindo assim exsudados microbianos do trato GI (por exemplo, amilóides, lipopolissacarídeos, endotoxinas e pequenos ARNs não codificantes) acessem os compartimentos do sistema nervoso central .

Exemplo de Alimentos probióticos:

  • Iogurte (o mais conhecido)
  • Chucrutes
  • Kombuchá (bebida fermentada com chá verde ou preto),
  • Picles
  • Sopa de miso
  • Ervilhas
  • Tempeh (produto de soja fermentado com textura de carne e sabor neutro)
  • Natto – uma refeição japonesa feita com soja fermentada, reica em vitamina K 2
  • Kefir- um tipo de leite fermentado.

Fonte:

https://www.medicalnewstoday.com/articles/314044.php?sr

BADARÓ, ANDRÉA CÁTIA LEAL et al. Alimentos probióticos: aplicações como promotores da saúde humana–parte 1. Nutrir Gerais, v. 2, n. 3, p. 1-29, 2008.

BOTELHO, Lidiane et al. Isolamento e identificação de Lactobacilos e Bifidobactérias em alimentos probióticos disponíveis no mercado brasileiro. 2005.

DE OLIVEIRA, Maricê Nogueira et al. Aspectos tecnológicos de alimentos funcionais contendo probióticos. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 38, n. 1, p. 1-21, 2002.

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