O assunto do post de hoje é alguns cuidados que devemos ter com a alimentação na terceira idade.

Como já falamos em posts anteriores o envelhecer é um processo que ocorre com todos nós desde a nossa concepção.

Entretanto, alguns cuidados podem tornar esse processo mais saudável, dentre eles: a alimentação.

Você já deve saber que a alimentação equilibrada e saudável favorece a saúde. E que essa alimentação é baseada em um roteiro ou guia cujo mais famoso e conhecido é a pirâmide alimentar, que está baseada na ingestão de diferentes grupos de alimentos que contribuem com diferentes tipos de nutrientes (carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais, fibras, etc.) favorecendo o funcionamento do organismo.

Necessidades Nutricionais do Idoso

Você se lembra que a manutenção de um estado nutricional adequado e uma alimentação equilibrada estão, diretamente, associadas a um envelhecer saudável.

No entanto, o envelhecimento pode vir acompanhado de alterações que podem afetar a ingestão de alimentos e, consequentemente, de nutrientes levando a quadros de desnutrição.

Inúmeros estudos realizados com a população idosa, em vários países, demonstram que a desnutrição é prevalente nessa faixa etária. Em outras faixas etárias pode-se encontrar casos de desnutrição, assim como de sobrepeso e obesidade.

Os idosos podem apresentar condições específicas que condicionam seu estado nutricional, tais como: alterações fisiológicas próprias dessa fase da vida, doenças além da situação socioeconômica e familiar.

Vamos comentar o que ocorre com a ingestão de nutrientes nessa fase de nossa vida.

PROTEÍNAS:

O idoso apresenta uma redução importante no fluxo renal sanguíneo, da taxa de filtração pelo rim e da liberação de uma proteína específica, que a creatinina, entretanto, caso não haja nenhuma doença associada, que restrinja o consumo de proteínas, a ingestão deve ser normal.

O consumo adequado de proteínas é importante na manutenção do tecido muscular, visto que ocorre perdas desse tecido com o passar da idade.

As proteínas se dividem em dois grupos: VEGETAL, onde encontramos alimentos como o feijões, ervilha, lentilha, grão de bico, soja, amendoim. Já as proteínas de origem ANIMAL compreendem o leite e seus derivados (queijos, iogurte, coalhada, etc.), as carnes (bovina, de aves, como o frango, peixes, etc.) e os ovos.

GORDURAS:

Se consumidas em quantidades moderadas tem o mesmo processo de digestão que em um adulto saudável, entretanto, a restrição no consumo de gorduras na alimentação está relacionada com a redução na ingestão de energia ou calorias.

Além disso, não devemos esquecer que algumas doenças (principalmente as cardiovasculares), também, precisam de um controle no consumo desse nutriente.

Entretanto, as gorduras não devem ser excluídas da alimentação, pois são fundamentais para o transporte de vitaminas lipossolúveis (aquelas solúveis em gordura).

As gorduras, assim como as proteínas, podem ser classificadas em: VEGETAIS (óleos como o de soja, milho, girassol, canola, oliva e margarina) e ANIMAIS (leite e seus derivados, manteiga, capa de gordura das carnes, pele das aves, bacon, creme de leite, etc.).

Prefira, sempre, as de origem vegetal em relação às de origem animal, pois as vegetais não aumentam as taxas do LDL-colesterol sanguíneo, ao contrário do que ocorre com as de origem animal.

Caso consuma gorduras animais, procure, RETIRAR, ANTES DO PREPARO, a capa de gordura das carnes e a pele do frango.

No caso de leites e derivados, prefira os alimentos magros e/ou desnatados.

CARBOIDRATOS:

Recomenda-se a ingestão, preferencialmente, de alimentos fontes de carboidratos mas que, também, sejam fontes de fibras ou integrais, ou seja de carboidratos complexos, pois esse tipo de carboidratos diminuem os picos de glicemia pós prandial (após a ingestão de alimentos).

Alimentos fontes de carboidratos são: os pães, as massas (macarrão em seus diferentes formatos), batata, cenoura, beterraba, mandioca, mandioquinha, aveia, centeio, cevada, trigo, milho, arroz, açúcar, mel e frutose (açúcar presente nas frutas). Pode-se consumir açúcar de mesa, também conhecido como sacarose, entretanto, o consumo deve ser moderado (Lembre-se da recomendação da Pirâmide Alimentar: consumir açúcar esporadicamente, pois é um alimento que está no topo da Pirâmide).

FIBRAS:

A constipação é uma situação muito comum em idosos em função do fato da atividade física, nessa fase da vida, estar diminuída (Viu como os exercícios são importantes para nossa vida!!) devido a algumas situação como os pacientes que se encontram acamados.

Além da atividade física, a dieta pobre em fibras associada com a diminuição na ingestão de água são as principais justificativas para alterações no hábito intestinal não só dos idosos como de qualquer indivíduo.

Situações como diminuição na salivação e a dificuldade de mastigação, por alterações fisiológicas ou por perda dos dentes, são os principais motivos para o aumento de alimentos refinados, macios e, geralmente, pobres em fibras.

Além da melhora no trânsito (hábito) intestinal, estudos populacionais, seja no Brasil seja em outros países, relacionam o consumo de fibras com redução de doenças cardiovasculares e câncer.

As fibras podem ser classificadas, de acordo com sua solubilidade, em:

– SOLÚVEIS, presentes em verduras, legumes, na aveia (alimento que contem a maior quantidade de fibras solúveis) e na polpa das frutas. Esse tipo de fibra forma um gel, no intestino, que retarda o esvaziamento gástrico, promovendo a saciedade.

–  INSOLÚVEIS, são aquelas que estão presentes em farelos de cereais, como o trigo, vegetais, alimentos integrais e na casca das frutas. Esse tipo de fibra relaciona-se com a regularização do trânsito intestinal.

VITAMINAS E MINERAIS:

O idoso deve fazer a ingestão de frutas, verduras e legumes, pois além de serem alimentos fontes de fibras, também, o são de vitaminas e minerais.

Recomenda-se evitar as dietas restritivas em nutrientes como, por exemplo, as vegetarianas extremas, pois neste tipo de dieta há uma reduzida ingestão de vitamina B12, presente em alimentos de origem animal, principalmente, a carne bovina, mas, também, as com elevados teores, principalmente, de sódio, mineral presente, principalmente, no sal de cozinha, mas, também, em alimentos industrializados, como as conservas, por exemplo.

Os idosos, em função do processo de envelhecimento, são mais suscetíveis a desenvolver carências de vitaminas e minerais, tais como: cálcio (nutriente presente, principalmente, no leite e seus derivados), vitamina D (presente em óleo de fígado de peixes e peixes como arenque, sardinha e salmão), vitaminas do complexo B (presentes em leite, ovos, fígado, nozes e castanhas, cereais integrais e carnes), vitamina C (presente nas frutas, principalmente, as cítricas, verduras e legumes), ferro (presente nas carnes, feijões, ervilha, lentilha, grão de bico, soja, amendoim) entre outras, dependendo da condição do idoso.

Entretanto, essa situação não é justificativa para a prescrição indiscriminada de suplementos vitamínicos e de minerais. A prescrição deve ser embasada em avaliação individual e dosagem de nutrientes, através de testes bioquímicos, para se ter certeza do que suplementar.

INGESTÃO DE ÁGUA:

Os idosos apresentam intolerância ao calor, em função da diminuição do fluxo sanguíneo na pele e da produção de suor além de alterações na percepção de sede.

Em função dessa última alteração, o indivíduo deve ser estimulado a ingerir líquidos, mesmo que não sinta sede, para evitar a hipertermia (elevação da temperatura corporal) e a desidratação (situação decorrente da perda de água e eleltrólitos pelo organismo), decorrente do desequilíbrio entre a ingestão insuficiente e as perdas em excesso.

Caso o idoso faça uso de medicamentos diuréticos e laxativas, a situação pode ser agravada.

Na ausência de patologias que restrinja o consumo de líquidos, a recomendação levará em conta a idade do idoso. Segundo o Instituto de Medicina, por meio das Ingestões Dietéticas de Referência (Dietary Reference Intakes), os homens com idade acima de 50 anos devem ingerir 3,7 litros de água por dia. Já as mulheres, nessa mesma faixa etária, devem ingerir 2,7 litros por dia.

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