A dieta é importante para a saúde e bem-estar, e pesquisas trazem uma quantidade crescente de evidências em apoio ao ditado: “Você é o que come”. Então, será que a dieta pode afetar a saúde do cérebro a longo prazo? Um novo estudo buscou entender este questionamento.
À medida que envelhecemos, o cérebro tende a diminuir de volume – “a uma taxa de cerca de 5% por década após os 40 anos”, para ser mais preciso.
E quanto mais encolhe, mais parece afetar as habilidades cognitivas. No entanto, pode haver maneiras de manter um volume saudável do cérebro, mesmo quando envelhecemos, e isto pode estar associado a dieta.
Um estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution revelou que o tamanho do cérebro dos primatas não humanos pode ser previsto pelo tipo de dieta que consomem. Mas é a mesma verdade em humanos?
“As pessoas com maior volume cerebral mostraram  melhores habilidades cognitivas”, observa Meike W. Vernooij, do Centro Médico da Universidade Erasmus, em Roterdã, Holanda, “portanto, iniciativas que ajudam a melhorar a qualidade da dieta podem ser uma boa estratégia para manter as habilidades de pensamento em adultos mais velhos “.
Mas, acrescenta, “mais pesquisas são necessárias para confirmar esses resultados e examinar os caminhos pelos quais a dieta pode afetar o cérebro”.
Pesquisadores recentemente conduziram um estudo em uma grande amostra populacional na Holanda para ver a possibilidade de observar qualquer associação entre preferências alimentares e tamanho do cérebro, bem como a existência de quaisquer deficiências cognitivas.
As descobertas publicadas recentemente na edição online da revista Neurology , parecem indicar que dietas saudáveis, ricas em frutas e vegetais, podem ajudar a proteger o cérebro contra o encolhimento relacionado à idade.
A dieta pode influenciar a saúde cerebral?
Os pesquisadores trabalharam com 4.213 participantes, com idade média de 66 anos e sem diagnóstico de demência. Os participantes, foram convidados a preencher questionários informando o que eles comiam ao longo de um mês.
Entre os grupos de alimentos apresentados nos questionários, havia: vegetais, frutas, alimentos à base de grãos integrais, legumes, nozes, laticínios, peixe, chá, gorduras insaturadas, carne vermelha, carne processada, bebidas açucaradas, álcool e sal.
Dr. Vernooij e equipe avaliaram a qualidade das dietas individuais com base na dieta dos holandeses e pontuarão cada tipo de dieta, de zero (menos saudável) a 14 (mais saudável).
Na avaliação dos pesquisadores, as melhores dietas para a saúde eram ricas em vegetais, frutas, nozes, grãos integrais, laticínios e peixe, e incluíam poucas bebidas açucaradas.
Em média, as dietas dos participantes ganharam uma nota 7, sete. Foram realizados nos participantes, exames de ressonância magnética que resultou em volume cerebral total médio entre esta amostra populacional de 932 mililitros.
Os pesquisadores também usaram exames de ressonância magnética para determinar o número de lesões na substância branca no cérebro – que foram associadas a deficiências cognitivas -e sangramentos cerebrais não graves.
Outras informações gerais de saúde – que podem ter relação com o encolhimento do volume cerebral – também foram coletadas, incluindo casos de hipertensão, tabagismo e atividade física.
Interações complexas’ entre grupos de alimentos
A análise de Dr. Vernooij e colaboradores revelou que um escore mais alto de dieta – correspondendo a uma dieta mais saudável – estava associado a um maior volume cerebral, mesmo após ajustes para fatores de confusão, como variações de tamanho da cabeça, idade, sexo, tabagismo e exercício.
Especificamente, os indivíduos com melhores hábitos alimentares tinham 2 mililitros extras, em média, em termos de volume cerebral, em comparação com os que tinham dietas menos saudáveis. Mas a dieta não se mostrou relevante para as lesões da substância branca ou para a ocorrência de hemorragias cerebrais.
Para averiguar quais tipos de alimento seriam melhores para a saúde do cérebro, os pesquisadores também ajustaram sua avaliação da dieta em favor de modelos de dieta mediterrânea, que similarmente apresentam muitos legumes, nozes e peixe.
Mais uma vez, os pesquisadores descobriram que os participantes que aderiram a dietas ricas em vegetais e peixes tendiam a manter maiores volumes totais cerebrais, do que seus colegas que optavam por opções alimentares menos saudáveis.
Como resultado disso, os pesquisadores concluíram que o volume cerebral foi mantido pela adesão a uma dieta saudável, favorecendo uma combinação dos grupos de alimentos mencionados acima.
“Existem muitas interações complexas que podem ocorrer em diferentes componentes alimentares e nutrientes e, de acordo com a, pessoas que ingeriram uma combinação de alimentos mais saudáveis tiveram maiores volumes de tecido cerebral”.
No entanto, os pesquisadores alertam que as descobertas do novo estudo não implicam necessariamente que comer certos tipos de alimentos aumentará o volume do cérebro. Em vez disso, eles mostram uma associação entre dietas mais saudáveis e melhor manutenção do tamanho do cérebro.

Fonte:

https://www.medicalnewstoday.com/articles/321826.php

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