Empiema pleural,  piotórax ou pleurite purulenta é uma condição, que afeta o espaço entre a camada mais externa dos pulmões e a camada que toca a parede torácica, conhecida como espaço pleural. Este espaço serve para ajudar os pulmões a se expandirem e se contraír.

O espaço pleural contém naturalmente uma pequena quantidade de líquido. O empiema acontece, quando o líquido extra pulmonar se acumula no espaço pleural.

Diferentes cepas de bactérias provocam fluido e pus que se  acumulam no espaço pleural. A pneumonia é um dos fatores causais mais comuns de empiema.

Sintomas

Os sintomas incluem, dor no peito, febre, tosse com muco, dificuldade ao respirar, sons respiratórios diminuídos ou creptantes no peito, embotamento ao tocar no peito, fluido nos pulmões (visíveis com raio-X no tórax) e hipocratismo digital.

Estágios do empiema

O empiema pode progredir através de três etapas, caso o indivíduo não receba tratamento.

Estágio 1: Fase aguda (exsudativa)

O primeiro estágio do empiema é chamado de empiema simples. Ocorre quando o fluido extra pulmonar começa a se acumular na cavidade pleural. Este fluido pode ser infectado e conter pus.

Estágio 2: Fase de transição (fibrinopurulenta)

No empiema complicado, o fluido na cavidade pleural começa a engrossar e formar “bolsas”.

Estágio 3:  Fase crônica (organização)Ocorre quando o líquido infectado causa cicatrização nas camadas internas que revestem a cavidade pleural dos pulmões. Isso causa dificuldade para respirar, pois impede que os pulmões inflem adequadamente.

Causas

A pneumonia é a causa mais comum de empiema. Pessoas submetidas a toracotomias, ou cirurgias torácicas, também podem estar em risco de desenvolver empiema se bactérias infectarem a ferida.

Fatores de risco

Uma pessoa com mais de 70 anos e que recentemente teve pneumonia pode estar em risco de empiema.

Outros fatores de risco incluem:

  • ter mais de 70 anos
  • ter um quadro de pneumonia persistente
  • tendo estado no hospital recentemente
  • ter tido uma cirurgia no tporax ou trauma

Portadores dos distúrbios abaixo também tem maior risco de desenvolver empiema:

– Diabéticos

– Portadores de doença celíaca

– Histórico de câncer

– Portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC

Diagnóstico

O primeiro passo para diagnosticar empiema é a radiografia de tórax. Caso haja suspeita da presença de líquido na cavidade pleural após uma radiografia de tórax, o médico poderá solicitar um ultrason.  Os ultra-sons são mais sensíveis e melhores na detecção de fluidos na cavidade pleural.

A tomografia computadorizada também é um método útil para detectar empiema. Isso permite que o médico veja as “bolsas” de líquido na cavidade pleural.

Tratamento

O tratamento para empiema pode incluir:

Antibióticoterapia

O uso de antibioticoterapia é utilizado como o primeiro tratamento para casos simples de empiema. Como diferentes cepas de bactérias causam empiema, é crucial encontrar o antibiótico correto.

O tratamento antibiótico normalmente leva 2 à 6 semanas.

Drenagem

A drenagem do fluido é essencial para evitar que o empiema simples progrida para empiema complicado ou franco. Também ajuda a manter a condição sob controle.

Para drenar o fluido, o médico realiza uma toracostomia tubular, que envolve a inserção de um tubo ultrassônico ou guiado por computador na cavidade torácica e a remoção do líquido do espaço pleural.

Cirurgia

Para casos avançados de empiema, a cirurgia pode ser a melhor opção de tratamento. Um estudo descobriu que uma cirurgia conhecida como decorticação pulmonar  produziu melhores resultados do que a drenagem tubular em pessoas com empiema avançado.

A decorticação envolve a remoção dos “bolsos” de pus e do tecido fibroso do espaço pleural, o que ajuda os pulmões a se expandirem adequadamente.

Terapia fibrinolítica

Um médico também pode recomendar terapia fibrinolítica, que usa medicamentos conhecidos como agentes fibrinolíticos. A terapia ajuda a drenar o líquido pleural, e os médicos podem usá-lo em combinação com uma toracostomia por sonda.

Complicações raras

Possíveis complicações do empiema incluem:

  • Fibrose, que é quando o tecido pulmonar danificado causa dificuldade respiratória que afeta a qualidade de vida de uma pessoa. Se a dificuldade respiratória persistir 6 meses após a infecção, a cirurgia de decorticação pode melhorar os sintomas.
  • Empiema de necessidade, que é uma extensão da infecção para a parede torácica e tecidos moles. Isso é muito raro e requer atenção médica imediata.
Fonte:

CIRINO, L. M.; FRANCISCO NETO, Miguel José; TOLOSA, E. M. Classificação ultra-sonográfica do derrame pleural e do empiema parapneumônico. Radiol Bras, v. 35, n. 2, p. 81-3, 2002.

SEISCENTO, Márcia; CONDE, Marcus Barreto; DALCOLMO, Margareth Maria Pretti. Tuberculous pleural effusions. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 32, p. S174-S181, 2006.

MARCHI, Evaldo; LUNDGREN, Fernando; MUSSI, Ricardo. Parapneumonic effusion and empyema. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 32, p. S190-S196, 2006.

GIANNINI, Jacqueline Arantes et al. Ferimentos penetrantes tóraco-abdominais e de tórax e abdome: análise comparativa da morbidade e mortalidade pós-operatórias. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 25, n. 5, p. 297-304, 2018.

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