Estimulação cerebral profunda (ou DBS) é um tratamento que visa tratar partes do cérebro que causam a doença de Parkinson e seus sintomas associados sem destruir o cérebro. Na estimulação cerebral profunda, os eletrodos são colocados no tálamo (para tratar tremor essencial e esclerose múltipla ) ou no globo pálido (para doença de Parkinson).

A estimulação cerebral profunda é realizada através da introdução de um eletrodo no cérebro. Esse eletrodo fornece uma corrente elétrica contínua que melhora os sintomas da doença e reduz os efeitos colaterais da medicação (principalmente as discinesias). Pode melhorar a rigidez, o tremor e a velocidade dos movimentos. Os eletrodos por sua vez são conectados por fios a um dispositivo como um marcapasso  (chamado gerador de impulso, ou IPG) implantado sob a pele do tórax, abaixo da clavícula. Uma vez ativado, o dispositivo envia pulsos elétricos contínuos para as áreas-alvo do cérebro, bloqueando os impulsos que causam os tremores, que tem o mesmo efeito que as cirurgias de talamotomia ou palidotomia sem lesar o  cérebro.

O IPG pode ser facilmente programado usando um computador que envia sinais de rádio para o dispositivo. Os pacientes recebem ímãs especiais ou outros dispositivos para que possam ligar ou desligar externamente o IPG.

Dependendo do uso, os estimuladores podem durar de três a cinco anos. O procedimento de substituição do IPG é relativamente simples.

Como é feita a estimulação cerebral profunda?

Pacientes que estão tendo estimuladores colocados em ambos os lados do cérebro terão sua cirurgia dividida em duas partes. A alguns portadores  de doença de Parkinson podem ser indicados  cirurgia em ambos os lados do cérebro. Durante a primeira cirurgia, os eletrodos são colocados no cérebro, mas não são conectados.

Existem várias maneiras de inserir os eletrodos nas áreas-alvo do cérebro. Primeiramente, essas áreas devem estar localizadas. Uma maneira de localizar as áreas-alvo é através  da tomografia computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM).  Uma vez identificada a localização correta, os eletrodos permanentes são implantados. As pontas soltas são colocadas sob a pele da cabeça e a incisão é suturada. O paciente recebe anestesia geral para a colocação do gerador de impulsos no tórax e o posicionamento dos fios de extensão que conectam os eletrodos aos geradores de impulso. Pode levar algumas semanas até que os simuladores e medicamentos sejam ajustados o suficiente para que os pacientes recebam alívio adequado dos sintomas. Mas, no geral, o DBS causa muito poucos efeitos colaterais.

O que é Estimulação Cerebral Profunda do Núcleo Subtalâmico?

A estimulação do núcleo subtalâmico é uma nova aplicação da técnica original de estimulação cerebral profunda e foi reconhecida como o tratamento cirúrgico mais eficaz para a doença de Parkinson, abordando não apenas os tremores,  mas toda a gama de sintomas da doença, incluindo: rigidez, lentidão de movimento , rigidez e distúrbios de marcha.

A estimulação bem-sucedida do núcleo subtalâmico permite que o paciente reduza consistentemente a medicação devido a melhora de todos os outros sintomas relacionados à doença. Além disso, a cirurgia para colocar o estimulador no núcleo subtalâmico é geralmente mais fácil do que cirurgias para o tálamo ou globus pallidus.

Vantagens da estimulação cerebral profunda

  • Primeiro, não requer a destruição intencional de qualquer parte do cérebro e, portanto, tem menos complicações do que a talamotomia e a palidotomia.
  • Além disso, a estimulação elétrica é ajustável e pode ser alterada à medida que a doença avance ou a sua resposta aos medicamentos se altere. Nenhuma outra cirurgia é necessária para fazer os ajustes.
  • Outra vantagem significativa da estimulação cerebral profunda refere-se a tratamentos futuros.  Por exemplo, o futuro transplante de células cerebrais pode ser de grande ajuda para pessoas com doença de Parkinson. Existe a preocupação de que uma palidotomia ou talamotomia possa impedir que os pacientes se beneficiem do transplante de células cerebrais. Este não seria o caso da estimulação cerebral profunda, pois o estimulador poderia ser desligado.
  • Estimulação cerebral profunda é um procedimento relativamente seguro.
  • O procedimento pode tratar todos os principais sintomas da doença de Parkinson.
  • As tarefas diárias e a qualidade de vida também são melhoradas.
  • Com a estimulação do núcleo subtalâmico, os medicamentos geralmente podem ser reduzidos.
  • O estimulador também pode ser desligado a qualquer momento se a estimulação cerebral profunda estiver causando efeitos colaterais excessivos.

Desvantagens da Estimulação Cerebral Profunda

  • Maior risco de infecção. A implantação de qualquer objeto estranho no corpo trás esse risco.
  • Uma cirurgia adicional pode ser necessária se o equipamento parar de funcionar ou para substituição de bateria.
  • Tempo adicional por parte do paciente e do prestador de cuidados de saúde para programar o dispositivo e ajustar os medicamentos.
  • O dispositivo pode interferir com dispositivos antirroubos, ímãs de porta de geladeira, entre outros.

Com a estimulação cerebral profunda, a grande maioria das pessoas (acima de 70%) experimenta uma melhora significativa de todos os sintomas relacionados à doença de Parkinson. A maioria das pessoas consegue reduzir significativamente a quantidade de medicamentos.

A estimulação cerebral profunda do núcleo subtalâmico é eficaz para todos os principais sintomas da doença de Parkinson, como tremores, lentidão de movimentos, rigidez e problemas com a marcha e o equilíbrio. Pessoas incomodadas por movimentos involuntários, como discinesia, frequentemente experimentam uma redução acentuada desses movimentos involuntários.

Estimulação cerebral profunda do tálamo só é eficaz para tremores e rigidez. Consequentemente, a estimulação cerebral profunda do tálamo geralmente não é realizada em pacientes com doença de Parkinson.

Riscos da estimulação cerebral profunda

Como com qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos. Existe um risco de 2% -3% de complicações sérias e permanentes, como paralisia alterações de pensamento, memória e personalidade, convulsões e infecção.

Há muitas questões importantes a serem abordadas ao considerar a estimulação cerebral profunda. Essas questões devem ser discutidas com um especialista em distúrbios do movimento ou um neurologista..

A cirurgia não é recomendada se os medicamentos puderem controlar adequadamente a doença. Entretanto, a cirurgia só deve ser considerada para pessoas que não alcançam controle satisfatório com a terapia medicamentosa.

A primeira e mais importante recomendação é que o procedimento de estimulação cerebral profunda seja realizado em um local onde exista uma equipe multidisciplinar de especialistas. Isso significa neurologistas, neurocirurgiões com experiência e treinamento especializado na realização desses tipos de cirurgias.

Fonte:

NASSER, José Augusto et al. Estimulação cerebral profunda no núcleo subtalâmico para doença de Parkinson. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 2002.

FERREIRA, António GONÇALVES. Estimulação cerebral profunda: nova fronteira no tratamento das doenças do sistema nervoso central. Acta Méd Portuguesa, v. 27, n. 5, p. 641-8, 2014.

MASSANO, João. DOENÇA DE PARKINSON. Acta médica portuguesa, v. 24, 2011.

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