A dissociação é que dá origem a fuga dissociativa é definida pela existência de uma perturbação nas funções integradas da consciência, memória, identidade ou percepção do ambiente. Fatores psicológicos importantes, como conflitos ou dilemas insuperáveis, podem determinar  o aparecimento de sintomas dissociativos. Nos dois casos, admite-se a participação de mecanismos psicológicos inconscientes, pois os sintomas são involuntários.

A fuga dissociativa pode surgir sem nenhum motivo, ou mais comumente após um trauma, o indivíduo  esquece quem é , onde mora  e outros fatos relacionados a sua identidade.

Um indivíduo também apresentar alterações de seus hábitos de vida  e de seus padrões familiares. Esta condição, no entanto, é uma desordem psicológica real para o portador.

Um dos casos mais conhecidos de uma possível fuga dissociativa é o de Agatha Christie. Em três de dezembro de 1926, a escritora misteriosa desapareceu repentinamente de sua casa na Inglaterra. No dia seguinte, seu carro foi encontrado com os faróis ligados e todos os seus pertences dentro.

Posteriormente, Christie foi encontrada em um Spa de saúde onde  havia registrado um nome diferente. Ela nunca mais discutiu este episódio, e nenhuma explicação foi dada por seu desaparecimento.

A fuga dissociativa é uma forma de amnésia dissociativa em que a pessoa esquece de tudo em sua vida, principalmente sua identidade.

Além da amnésia, o portador de  fuga dissociativa experimenta um episódio de viagem  interna repentina e inesperada.

Este estado de fuga pode durar entre horas,  meses ou anos.

O estado dissociativo é uma maneira,  que o indivíduo inconscientemente usa  escapar de uma situação estressante ou traumática. A verdadeira fuga dissociativa, não é uma condição inventada pelo portador, bem como  não é uma tentativa deliberada de um indivíduo de evitar uma situação difícil.

Sintomas

– Confusão mental que podem incluir vagar, ir a algum lugar incomum e confusão.

– Os sintomas da fuga dissociativa podem ser difíceis de detectar. O portador  parecer normal ou pode agir apenas um pouco confuso.

– Um indivíduo que experimenta uma fuga dissociativa talvez não deseje atrair a atenção para si e simplesmente desaparecer.

– Desapego emocional

– Confusão de identidade

– Depressão

– Ansiedade

– Vagância

Três tipos de amnésia ou esquecimento pode estar ligados a um estado de fuga:

  1. Amnésia localizada: quando o indivíduo não consegue se lembrar de um evento específico, eventos ou período de tempo. O período esquecido geralmente é um tempo traumático ou estressante. As pessoas podem experimentar mais de um episódio de perda de memória.
  2. Amnésia seletiva: a pessoa esquece apenas algumas partes dos eventos que ocorreram.
  3. Amnésia generalizada: amnésia generalizada refere-se a quando uma pessoa esquece quem é, de onde veio. O indivíduo esquece completamente seu histórico de vida, às vezes incluindo habilidades que aprendidas e praticadas. Este tipo de amnésia é rara, mas é mais comum entre pessoas com trauma extremo, como veteranos de combate de guerra ou vítimas de agressão sexual.

Uma vez que a fuga termina, a pessoa tende a encontrar-se em uma nova situação de vida, sem lembranças de como chegaram neste estado  ou o que aconteceu enquanto isso.

Este retorno à normalidade pode deixar uma pessoa com vergonha, desconfortável e assustada.

Pessoas com amnésia podem sofrer dificuldades severas em aprender novas informações, lutar para lembrar memórias de experiências passadas, ou ambas.

Causas

Uma fuga dissociativa geralmente é, embora nem sempre, desencadeada por um evento traumático, como:

Estupro

Acidentes

Combate

Desastres naturais

Ter sofrido violência

Abuso físico ou emocional a longo prazo

Esses eventos não têm necessariamente que ter ocorrido com a pessoa afetada pela fuga dissociativa. Testemunhar esses eventos, também pode ser tão traumático que desencadeia um estado dissociativo.

Diagnóstico

O diagnóstico desta condição geralmente ocorre após o episódio ter terminado,  uma vez que a pessoa afetada busca ajuda.

Qualquer um que teve ou tenha tido um estado de fuga dissociativa deve buscar uma avaliação clínica para direcionar a terapêutica. O indivíduo pode ser  encaminhado para o psicólogo para uma avaliação psicológica.

Tratamento

Terapia cognitiva: gerencia padrões de pensamento em torno da fuga.

Na maioria dos casos, uma fuga dissociativa é um evento isolado e não se repete. Em outros casos, no entanto, a amnésia relacionada a um evento e estado de fuga persistirá mesmo após a fuga ter terminado.

O tratamento se concentrará em ajudar o paciente a lidar com o que aconteceu e em identificar o que desencadeou o estado da fuga. Este tipo de tratamento é feito trabalhando com um terapeuta.

Terapia cognitiva ou “terapia de conversa” é utilizada para ajudar o paciente a lidar com seus padrões de pensamento em torno do evento e a construir mecanismos adequados de enfrentamento, avançando.

A hipnoterapia tem sido usada para ajudar os pacientes a recuperar memórias perdidas e a trabalhar com elas.

As terapias criativas, como arte ou música, ajudam as pessoas a explorar seus pensamentos e emoções de forma criativa e segura. Também ajuda uma pessoa a recuperar um senso de autocontrole depois de um estado de fuga.

A terapia grupal pode fornecer suporte contínuo para a pessoa, à medida que se movem através de sua recuperação.

A terapia familiar pode ajudar a complementar o tratamento e ajudar a família de uma pessoa a avançar e curar após o estado da fuga.

Medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos,  podem ser utilizados à medida que a pessoa começa a se recuperar do que aconteceu.

Espero que tenham gostado deste post e até a próxima.

Fonte:

NETO, José Gallucci; MARCHETTI, Renato Luiz. Histeria Somatização Conversão e Dissociação. MedicinaNET. Retirado de http://www. medicinanet. com. br/conteudos/revisoes/2325/histeria_somatizacao_conversao_e_dissociacao. htm, 2009.

http://www.medicalnewstoday.com/articles/319024.php

http://www.webmd.com/mental-health/dissociative-fugue#1

ICARÁN, Eva; COLOM, Roberto; GARCÍA, Francisco Orengo. Experiencias disociativas: una escala de medida. Anuario de psicología/The UB Journal of psychology, n. 70, p. 69-84, 1996.

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