Os medicamentos são muito úteis no tratamento de infecções, câncer, hipertensão, problemas endócrinos (hormonais) e condições psiquiátricas, entre outras doenças.

Eles podem fornecer benefícios incríveis para sintomas de dor, febre, inflamação e insônia, apenas para citar alguns exemplos.

No entanto, nenhuma medicação, nem mesmo um medicamento placebo, está livre de efeitos colaterais.

E, quando esses efeitos colaterais interferem com a atenção, a memória, a linguagem, e funções cognitivas, um clínico pode suspeitar de forma incorreta a presença de uma demência progressiva.

Muitos medicamentos podem produzir sintomas cognitivos (exemplos na Tabela 1, abaixo).

Neste post, serão descritos alguns dos medicamentos mais comuns que produzem efeitos que podem imitar a demência.

Leia mais sobre: Efeitos placebo e nocebo

 

Medicamentos que bloqueiam os efeitos da acetilcolina

Dentre os medicamentos cognitivamente perigosos mais reconhecidos, estão aqueles com propriedades anticolinérgicas.

Isso significa que os medicamentos bloqueiam o efeito da acetilcolina, que é um importante neurotransmissor cerebral, e que diminui com a idade.

Esses medicamentos têm um impacto nas células cerebrais, ocupando suas moléculas receptoras e diminuindo as suas funções, podendo ajudar as pessoas a obter alívio de sintomas de insônia, síndrome do intestino irritável ou várias outras condições médicas.

Além disso, muitos medicamentos avaliados por seus outros efeitos têm propriedades anticolinérgicas incidentais.

Entre os medicamentos anticolinérgicos clinicamente significativos estão medicamentos como a tolteridina, frequentemente utilizados para tratar a incontinência urinária.

Além disso, alguns antidepressivos (especialmente os tricíclicos, como a amitriptilina), antipsicóticos, medicamentos cardíacos e antiespasmódicos.

Infelizmente, as conseqüências indesejadas dos medicamentos anticolinérgicos podem ser graves. Pode ocorrer boca seca, olhos secos, constipação ou retenção urinária.

Os efeitos tóxicos dos medicamentos anticolinérgicos no cérebro incluem confusão, perturbação da memória, agitação e até mesmo delírio.

Leia mais sobre: Incontinência Urinária

 

Medicamentos para ansiedade e insônia

Os benzodiazepínicos, uma classe de medicamentos utilizados para o tratamento da ansiedade ou insônia, compreendem outro grupo que tem sido associado a dificuldades cognitivas.

Embora, esses medicamentos sejam, realmente, benéficos para alguns indivíduos que sofrem de ansiedade, seu uso pode ser acompanhado por sedação e sonolência.

Um estudo recente sugeriu que o uso prolongado de benzodiazepínicos pode ser um fator de risco para uma posterior demência.

Embora, os especialistas tenham questionado o significado desse achado, os clínicos continuam prescrevendo medicamentos ansiolíticos, como lorazepam  e temazepam e, considere-os muito benéficos quando utilizados corretamente.

Leia mais sobre: Medicamentos ansiolíticos (Calmantes)

 

Antiinflamatórios esteroides (AIEs)

Os antiinflamatórios esteróides (AIEs), que podem salvar a vida quando prescritos adequadamente, têm capacidade para induzir delírio, mudanças de humor ou mesmo sintomas psicóticos.

Neste sentido, a prednisona, entre os outros, tem sido implicada em casos de sintomas clínicos que imitam vários transtornos mentais, incluindo mudanças cognitivas.

Leia mais sobre: Antiinflamatórios esteroides (AIEs)

 

Medicamentos analgésicos

Os medicamentos para aliviar a dor, particularmente os opióides, são importantes e valiosos quando utilizados corretamente.

Seus efeitos prejudiciais sobre a memória de curto prazo foram investigados e reconhecidos.

O alívio da dor é uma necessidade, é claro, e o uso adequado de analgésicos é importante.

Seus efeitos cognitivos, como os outros medicamentos aqui, são reversíveis depois que os medicamentos são interrompidos.

Leia mais sobre: Analgésicos opióides

 

Medicamentos Quimioterápicos

As alterações cognitivas associadas aos agentes quimioterápicos utilizados para o tratamento do câncer são, agora, uma condição bem documentada que afeta alguns, embora não todos, os pacientes tratados com esses medicamentos.

Estes quimioterápicos afetam a atenção, a memória funcional e a função executiva e, às vezes, deixam mudanças duradouras.

Leia mais sobre: Efeitos colaterais a longo prazo produzidos pelo tratamento para o câncer

 

Estatinas

As estatinas são muito utilizadas para a redução do colesterol.

Entretanto, estas drogas foram suspeitas em criarem problemas de desaceleração mental e de memória, em algumas pessoas.

A pesquisa nesta área está dividida em opinião.

Relatos de casos menores descreveram pessoas nas quais os medicamentos pareciam interferir com a cognição, enquanto estudos maiores e bem desenhados não confirmaram esse efeito.

Ainda não está comprovado se este efeito realmente está relacionado a esta classe de drogas, portanto o consenso atual é que não seja uma complicação comum do uso desses medicamentos.

 

O Impacto do Envelhecimento

Vale ressaltar que os efeitos do envelhecimento na ação das drogas ajudam a explicar como os medicamentos, que parecem mais seguros em pessoas mais jovens, podem interferir na cognição das pessoas maduras.

Além disso, o passar dos anos faz com que o fígado e os rins fiquem menos eficientes na redução dos efeitos tóxicos de drogas.

O envelhecimento do cérebro faz com que a proteção cognitiva fique menor.

E, muito importante, os múltiplos medicamentos prescritos típicos para as pessoas maduras oferecem muitas oportunidades para as interações medicamentosas que podem amplificar os efeitos colaterais de medicamentos.

Os efeitos nocivos dos medicamentos são exacerbados, também, quando o álcool é utilizado simultaneamente. Neste sentido, uma quantidade moderada de álcool pode adicionar grandes efeitos colaterais de medicamentos.

 

Conclusão

É difícil de dizer se a diminuição da função cognitiva está relacionada, ou não, ao uso de medicamentos.

Se você acredita que os medicamentos estão afetando sua memória ou outras funções cognitivas, discuta isso com seus prestadores de cuidados de saúde.

Eles ajudarão a determinar se os medicamentos estão interferindo com o funcionamento cognitivo por um reexame cuidadoso da história de seus sintomas para entender as causas mais prováveis ​​dos sintomas, reduzindo ou eliminando medicamentos específicos, ou substituindo os medicamentos necessários por drogas alternativas que possuem diferentes propriedades .


Tabela 1: Drogas que podem produzir sintomas cognitivos

Classe de drogas Droga
Ansiolíticos (benzodiazepínicos) Lorazepam
Diazepam
Temazepam
Clonazepam
Anticolinérgicos Benzotropina
Tolteridina
Diciclomina
Anticonvulsivantes Carbamazepina
Fenobarbital
Fenitoína
Antidepressivos Fluoxetina
Sertralina
Citalopram
Escitalopram
Anti-histamínicos Difenidramina
Clorfeniramina
Cetirizina
Antiparkinsonianos Levodopa
Amantadina
Tolcapone
Drogas cardiovasculares Warfarina
Atenolol
Metoprolol
Quimioterápicos Bussulfano
Citarabina
Cortiosteróides Prednisona
Cortisona
Metilprednisolona
Narcóticos Codeína
Oxicodona
Morfina
Sedativos não benzodiazepínicos Pentobarbital
Fenobarbital
Estatinas Atorvastatina
Sinvastatina
Rosuvastatina

 


 

Fonte:


http://www.brightfocus.org/alzheimers/article/it-something-im-taking-medications-can-mimic-dementia

 

Crédito da Imagem:

<a href=”http://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/poster”>Poster fotografia desenhado por Creativeart – Freepik.com</a>

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