Olá pessoal, tudo bem? O nosso post irá falar sobre um tema que está se tornando cada vez mais comum na nossa sociedade: o DIABETES MELLITUS (DM) ou somente DIABETES.

O que é Diabetes mellitus (DM)?

O termo diabetes mellitus pode ser, geralmente, definido como distúrbio metabólico que se caracteriza pela deficiência absoluta ou relativa da insulina (hormônio produzido pelas células beta do pâncreas para transporta a glicose do sangue para dentro das células), provocando aumento nos níveis séricos de glicose e outras alterações metabólicas de nutrientes.

Há diferentes tipos de Diabetes? Sim. O diabetes pode ser classificado em quatro tipos:

TIPO 1: Caracteriza-se por deficiência absoluta na produção de insulina, sendo resultado de processo auto imune ou de origem idiopática, acomete com mais frequência jovens antes dos 30 anos de idade e é necessário o uso de insulina exógena.

TIPO 2: Caracteriza-se por deficiência relativa na produção de insulina ou resistência a insulina, associada a hereditariedade, obesidade e sedentarismo e, geralmente, não é necessário o uso de insulina exógena.

GESTACIONAL: Ocorre durante a gestação em mulheres pré dispostas geneticamente (2 a 3% das gestantes), ocorrendo devido ao aumento na produção de hormônios antagonistas de insulina, podendo haver remissão ou permanecer após o parto.

SECUNDÁRIA: É resultado de outras alterações clínicas que podem comprometer a produção e/ou a utilização da insulina como, por exemplo, a pancreatite, as dislipidemias, etc.

Quais são os sinais e/ou sintomas do diabetes? Bem…..a doença se manifesta pelo aparecimento de vários sinais e/ou sintomas de forma isolada ou em conjunto (ao mesmo tempo). São eles:

– Cansaço e desânimo excessivos;

– Perda de peso;

– Sede e fome intensas;

– Urinar muitas vezes e em grande quantidade;

– Cicatrização difícil e infecções na pele.

E quais são as complicações do diabetes?

O diabetes associa-se, frequentemente, com alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos como o coração (Infarto Agudo do Miocárdio), o cérebro (Acidente Vascular Cerebral isquêmico ou hemorrágico), os rins (Insuficiência Renal), os vasos sanguíneos (Trombose), os órgãos sexuais (impotência sexual ou dificuldade de passagem da urina) e os olhos (diminuição da visão).

E como sei se tenho diabetes?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) deve-se avaliar o quadro clínico apresentado pelo indivíduo e da realização de exames bioquímicos como, por exemplo, um exame de sangue para avaliar a glicemia de jejum (valores iguais ou acima de 126mg/decilitro de sangue são classificados como DM).

Porque devemos nos preocupar com o diabetes?

De acordo com as Diretrizes 2014-2015 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), publicada em março de 2015, estima-se que a população mundial com diabetes é da ordem de 382 milhões de pessoas e que deverá atingir 471milhões em 2035. Cerca de 80% desses indivíduos com DM vivem em países em desenvolvimento, como o Brasil.

O número de indivíduos diabéticos está aumentando em virtude do crescimento e do envelhecimento populacional, da maior urbanização, da crescente prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como da maior sobrevida de pacientes com DM.

Quantificar a prevalência atual de DM e estimar o número de pessoas com diabetes no futuro é importante, pois permite planejar e alocar recursos de forma racional.

E como devemos tratar o diabetes? A Nutrição é fundamental na prevenção, tratamento e gerenciamento do DM. A Nutrição no DM tem como objetivos: o bom estado nutricional, a saúde fisiológica e a qualidade de vida do indivíduo, bem como prevenir e tratar as complicações a curto e em longo prazo e comorbidades associadas.

Tratamento dietoterápico do DM

A conduta nutricional deverá ter como foco o indivíduo, considerando todas as fases da vida, diagnóstico nutricional, hábitos alimentares e socioculturais.

Portadores de DM tipos 1 e 2 e seus familiares devem ser inseridos em programa de educação nutricional a partir do diagnóstico, mediante conscientização da importância do auto cuidado e da independência quanto a decisões e atitudes em relação à alimentação para o controle do DM.

O nutricionista irá realizar uma avaliação e elaborar um plano alimentar (com horários das refeições, quantidades e tipos de alimentos) para cada indivíduo, entretanto, vale ressaltar algumas dicas importantes:

Proteínas: De acordo com as Diretrizes 2014-2015 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o consumo de alimentos fontes de proteínas, seja de origem animal e/ou de origem vegetal, deve ser controlado para se evitar o aumento do risco de sobrecarga dos rins, o que pode ocasionar o surgimento de doenças renais.

Carboidratos: De acordo com as Diretrizes 2014-2015 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a ingestão dietética de carboidratos para pessoas com DM segue recomendações semelhantes às definidas para a população geral. Embora o carboidrato seja um importante preditor da glicemia pós prandial (ou seja após a ingestão de alimentos), os alimentos que contém esse nutriente são, também, fontes importantes de energia, fibras, vitaminas, minerais, contribuindo ainda com a palatabilidade da dieta. A sacarose não aumenta mais a glicemia do que outros carboidratos, quando ingerida em quantidades equivalentes. Dessa forma, seu consume pode ser inserido no contexto de uma dieta saudável. Para os indivíduos que necessitam reduzir o excesso de peso, a orientação para o consumo de preparações que contenham sacarose deve ser cuidadosa, sobretudo porque tais preparações trazem na sua composição altas concentrações de gorduras.

Os edulcorantes (adoçantes) não são essenciais ao tratamento do DM como a medicação oral/insulina e monitorização da glicemia, mas podem favorecer o convívio social e flexibilidade do plano alimentar.

Gorduras: De acordo com as Diretrizes 2014-2015 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a primeira meta para portadores de DM é limitar a ingestão de ácidos graxo saturados, ácidos graxos trans e colesterol, com a finalidade de reduzir o risco cardiovascular. Deve-se dar preferência para as gorduras de origem vegetais, tais como: óleos vegetais (soja, canola, girassol, milho, azeite de oliva, margarina), em relação às de origem animal (manteiga, creme de leite, etc.). Além disso, deve-se introduzir o consumo de peixes de águas frias e profundas (salmão, atum, sardinha, arenque, cavala) pois são ricos em ácidos graxos ômega 3.

Fibras: De acordo com as Diretrizes 2014-2015 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), assim como a população em geral, os indivíduos com DM devem ser motivados a escolher uma variedade de alimentos que contenham fibras, porém não há para recomendar-lhes o consumo de maior quantidade de fibras. As fibras são encontradas nos vegetais, principalmente em folhas, raízes, talos e sementes. As principais fontes alimentares são frutas, verduras, legumes, farelo de aveia e de cevada, semente de linhaça, além das leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão de bico, soja e amendoim). As fibras solúveis podem interferir na absorção da glicose alimentar, proporcionando menores picos glicêmicos pós prandiais. Consumir de 20 a 30g/dia.

Vitaminas e minerais: De acordo com as Diretrizes 2014-2015 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a deficiência de vitaminas e minerais é frequente em indivíduos diabéticos. As principais causas são: perdas na urina, diminuição na capacidade intestinal de absorção, além da baixa ingestão dietética. Para atingir as necessidades diárias de vitaminas e minerais, indivíduos diabéticos devem ter um plano alimentar variado com o consumo mínimo de duas a quarto porções de frutas, sendo pelo menos uma rica em vitamina C (frutas cítricas) e de três a cinco porções de hortaliças cruas e cozidas. É importante variar os tipos e as cores desses vegetais, pois cada cor corresponde a um perfil nutricional específico.

Sódio: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde (MS) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o consumo de sódio deve ser limitado a 2.000 mg/dia, o que equivale a 5g de sal de cozinha. O MS salienta que o consumo populacional acima dessa meta é a principal causa de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Tendo em vista a relevância dessa questão e com o objetivo de promover a saúde e prevenir doenças, o MS está trabalhando em conjunto com as indústrias alimentícias, de modo a reduzir progressivamente o teor de sódio dos alimentos industrializados.

Outras orientações

Além das recomendações acima, vale lembrar que:

– Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e três lanches intermediários por dia. Evitar pular as refeições. É fundamental manter a glicose sanguínea (glicemia) estável, sem picos ou variações.

– Beba pelo menos dois litros (seis a oito copos) de água por dia para manter o corpo hidratado.

– Prefira consumir a água nos intervalos entre as refeições.

– Lembre-se da diferença entre carboidratos complexos (aqueles que são digeridos e absorvidos lentamente, ocasionando aumento pequeno e gradual da glicemia como, por exemplo, as frutas, hortaliças e alimentos integrais que, também, são ricos em fibras) e simples (aqueles que são digeridos e absorvidos rapidamente, produzindo um aumento súbito da taxa de glicose no sangue como, por exemplo, mel, xarope de milho, açúcar, doces) para fazer escolhas mais saudáveis.

– Controle seu peso. O sobrepeso e/ou obesidade são responsáveis pela piora do quadro do DM, pois influenciam, diretamente, a produção de insulina pelo nosso corpo.

– Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física diariamente. O exercício físico tem efeitos comprovados no controle dos níveis de glicemia. Com a prática regular é possível melhorar os resultados dos exames bioquímicos.

– Aprenda a ler o rótulo dos alimentos, verificando a tabela nutricional (quantidade de nutrientes por porção do alimento) e a lista de ingredientes. Prefira, sempre que possível, aqueles com menor quantidade de sódio, gordura total, saturada e trans e açúcar.

– Troque bebidas açucaradas por bebidas feitas com frutas naturais e adoce com o adoçante de sua preferência.

– Dê preferência às preparações assadas, cozidas, grelhadas e/ou refogadas, que em comparação com as frituras, possuem menos calorias e menor quantidade de gorduras.

– Prefira temperos naturais aos industrializados. O uso das ervas aromáticas é uma forma de reduzir a quantidade de sódio (sal) nos alimentos e/ou preparações, tornando a alimentação mais saudável.

Entenda a diferença entre diet e light

Diet: São alimentos destinados para dietas com restrição de sacarose, frutose e/ou glicose, para atender às necessidades de pessoas sujeitas à restrição da ingestão desses carboidratos. As matérias-primas sacarose, frutose e glicose não podem ser utilizadas na formulação desses produtos alimentícios. Ou seja, são produtos destinados a pessoas que possuem alguma restrição na alimentação, como os diabéticos, que devem evitar o açúcar. Para um alimento ser considerado diet, o nutriente deve ser totalmente removido da sua formulação. Assim, a restrição pode ser de qualquer nutriente, tais como: carboidrato, gordura, proteínas e sódio. Em caso de dúvida, confira sempre a lista de ingredientes. .

Light: São alimentos produzidos de forma que sua composição reduza em, no mínimo, 25% qualquer nutriente tais como: valor calórico e/ou energético, carboidratos e/ou açúcares, gordura saturada, gorduras totais, colesterol e sódio, comparado com o produto tradicional ou similar de marcas diferentes.
Cuide da sua saúde bucal. A higiene bucal após cada refeição para o paciente com DM é fundamental, pois a alta concentração de glicose favorece o desenvolvimento de bactérias. Por ser uma via de entrada de alimentos, a boca, também, recebe diversos corpos estranhos que, somados ao acúmulo de restos de alimentos, favorece a proliferação de bactérias. Realizar uma boa escovação e ir ao dentista, regularmente, são essenciais.

Referências Bibliográficas:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2a. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 152p.
SILVA, Sandra Maria Chemin Seabra; MURA, Joana D’Arc Pereira. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca, 2007. 1122p.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. V Diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose. Arq Bras Cardiol 2013; 101 (4 Supl 1): 1-20.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. VI Diretrizes brasileiras de hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95 (1 Supl 1): 1-55.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2014-2015. Org: José Egídio Paulo de oliveira e Ségio Vencio. São Paulo: AC Farmacêutica, 2015. 375p.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a World Health Organization Consultation. Geneva: World Health Organization, 2000. p. 256. WHO Obesity Technical Report Series, n. 284.

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