No reino animal, as espécies que constroem ninhos, muitas vezes, o fazem apenas para abrigar os ovos que contêm seus descendentes até que eles nasçam.

Rãs e tartarugas marinhas mantem os seus deveres parentais depois de colocarem os ovos em um ninho isolado, enquanto vespas e jacarés cuidam de seus filhos até que eles sejam maduros o suficiente para cuidar de si próprios. Para jacarés, porém, esse período de tempo pode ser de, apenas, um ano.

É claro que, como seres humanos, investimos muito mais tempo e esforço em cuidar das crianças enquanto elas estão sob nosso teto.

Embora os seres humanos passem mais tempo com seus jovens do que os pássaros de construção de ninhos, chega um momento em que as metáforas aviárias começam a se aplicar às crianças.

Nós falamos, frequentemente, dos jovens que criam as suas asas e voam… Eles vão para a faculdade, se casam ou aceitam um trabalho em outro pais.

Qualquer que seja a rota de vôo da criança, os pais ficam com um lugar vazio em casa, ou como foi apelidado: o ninho vazio.

Embora a partida de cada criança traga mudanças únicas e significativas, até que a última criança se vá, ainda não existe um ninho vazio “oficial”.

A ocasião da última criança saindo de casa poderia trazer um suspiro de alívio para o pai que já não tem que se preocupar sobre emprestar o carro da família para o filho no sábado à noite e, recebe-lo com um tanque de combustível vazio no dia seguinte…

E, a mãe já não tem que limpar e encher a geladeira depois que os amigos de sua filha a esvaziaram…

Claro que a casa ficará mais tranquila, propiciando mais tempo para os pais para novos hobbies, jantares e viagens.

Pode ser muito emocionante para um pai assistir a sua criança entrando em uma nova fase da vida, especialmente quando o pai é orgulhoso do trabalho feito para prepara-la para este momento.

Outros pais, no entanto, têm mais dificuldade em lidar com a partida de uma criança.

Quando a perda tem um impacto negativo na vida diária dos pais, às vezes é referida como Síndrome do Ninho Vazio.

Sintomas

Qualquer mudança de vida importante requer algum ajuste, e pode levar alguns dias para se acostumar a não ouvir mais o som dos passos do filho no corredor ou aquele lugar vazio na mesa de jantar.

É perfeitamente normal o sofrimento devido a saída do filho da casa, especialmente se o relacionamento era próximo.

Mas, para alguns pais, a dor da separação torna-se insuportável, ao ponto que mesmo meses depois, eles ainda sofrem de tristeza extrema e depressão.

Estes pais podem passar horas nos quartos de seus filhos, ao invés de se engajarem em atividades normais, todos os dias.

Seus hábitos de dormir e comer podem mudar. Podendo parecer que não há mais nada para fazer na vida…

Estes sintomas da síndrome do ninho vazio são mais comumente associados com as mães, embora ambos os pais possam experimentá-los.

Uma das razões pelas quais as mulheres estão mais associadas à síndrome do ninho vazio é que este acontecimento, muitas vezes, coincide com a menopausa, que, naturalmente, devido aos hormônios, o estado emocional da mulher fica mais abalado.

Se uma mulher moldou, em grande parte sua identidade pessoal, como a de mãe, então um fim aos anos reprodutivos acompanhados por uma criança saindo de casa pode ser especialmente traumático.

Por esta razão, a síndrome do ninho vazio parece atingir as mães que ficam em casa mais do que as mães que trabalham a tempo inteiro ou a tempo parcial.

Isto ocorre porque as mães que ficam em casa não têm uma ocupação imediata para o seu tempo, fazendo com que elas fiquem pensando na sua perda.

As mulheres, também, podem ser mais propensas a sofrer de síndrome do ninho vazio se elas têm visões muito tradicionais da família e dão grande valor a um papel materno tradicional.

Também, é comum experimentar a síndrome do ninho vazio se a partida da criança não estiver em um momento previsto, isto é, se for num tempo anterior ou posterior.

Em outras palavras, se um adolescente talentoso vai para a faculdade um ou dois anos mais cedo; ou se uma criança decidiu ficar em casa enquanto trabalhava para arrecadar dinheiro para o primeiro apartamento, então, há uma maior chance de que os pais irão passar pela síndrome do ninho vazio.

O fato de que algumas mulheres sofrerem, tão terrivelmente, quando uma criança sai, pode causar profunda tristeza para a família como um todo, pois os integrantes podem se sentirem culpados pela mulher não suportar tal depressão…

A síndrome do ninho vazio é um mito?

A síndrome do ninho vazio não é formalmente reconhecida no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-IV).

Ainda assim, enquanto a síndrome do ninho vazio pode não ser uma condição oficial, não é possível desacreditar no quão traumatica esta sindrome possa ser.

Casamentos desmoronam devido aos pais não terem nada a fazer, senão esperar por telefonemas esporádicos e visitas destes filhos.

Muitos pesquisadores estão chegando a acreditar que esses estereótipos são mais a exceção do que a regra.

Um estudo de 2008, publicado na Psychological Science, descobriu que, ao se dirigir para o tribunal, a maioria dos casais que entravam com pedido de divorcio, apresentaram uma maior taxa de satisfação conjugal porque tinham, agora, mais tempo juntos.

Mas, o estudo revelou que não era, apenas, a quantidade de tempo que passavam juntos que contava, mas sim a qualidade.

Este fato, provavelmente, ocorria porque as mulheres, antes dos filhos irem embora, eram mais consumidas com o exigente cronograma de uma criança.

Os pais, também, descobriram que os relacionamentos com as crianças se tornavam mais fortes depois que eles voavam no ninho, pois os pais começavam a servir menos de um papel disciplinar e se tornavam mais parecidos com conselheiros.

Além disso, muitos estudos sobre a síndrome do ninho vazio têm sido conduzidos em pais que procuram ajuda ou terapia para esta condição.

Em uma pesquisa de aproximadamente 1.100 mães, apenas 10% daquelas que tinham experimentado um ninho vazio, relataram sentir solidão aguda ou ter dificuldade em se ajustar à mudança.

Na mesma pesquisa, mais de 25% das mães disseram que seu estágio favorito de maternidade era, de fato, aquele em que seus filhos já não viviam em casa.

Porque essa razão pode implicar sentimentos negativos sobre a maternidade? Podemos não ouvir muito sobre essas mães porque eles não querem admitir tais sentimentos.

Ainda assim, mesmo as mães mais felizes e saudáveis podem ter problemas para sufocar as lágrimas depois de ajudar a decorar o primeiro apartamento de uma criança.

Alguns locais oferecem palestras e programas para ajudar os pais a se adaptarem à mudança, e alguns pais formam grupos de apoio.

Tais grupos também fornecem uma boa maneira de sair da casa e se socializar.

Se o seu filho era, de fato, o centro do seu mundo, então é hora de voltar o foco de volta para si mesmo.

Se a depressão e o sofrimento durarem mais do que alguns meses, pode ser hora de procurar aconselhamento…

Fonte:

http://health.howstuffworks.com/wellness/aging/empty-nest/empty-nest-syndrome.htm

 

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