Uma pesquisa recente foi publicada em uma revista de Neurologia afirma que os antibióticos podem causar delirium e outros problemas cognitivos nos idosos, com mais frequência do se pensava.

Pode-se definir delirium, como estado confusional agudo e, seus sintomas incluem alucinações, agitação, distúrbios do sono, incontinências, entre outros. E, este estado atinge, principalmente, indivíduos idosos. Mas por ser agudo, uma vez excluída a causa, o indivíduo volta ao seu estado normal.

Já, os antibióticos são conhecidos por tratar problemas neurológicos causados por processos infecciosos como encefalite. No entanto, investigadores da Academia Americana de Neurologia, após analisarem relatórios científicos disponíveis em bibliotecas virtuais, encontraram relatos de 391 pessoas que após utilizarem antibióticos apresentaram problemas neurológicos.

O que se sabe infelizmente é que a população de mais idade corre mais em risco de desenvolver problemas cognitivos devido à medicação. Estima-se que de 2-12% dos casos de demência são causadas por suspeita de toxicidade por medicação.

Apesar de muitas vezes os culpados serem os fármacos anticolinérgicos que bloqueiam o neurotransmissor acetilcolina, em menor extensão, esta resposta negativa também pode ser encontrada com antibióticos.

Em um paciente idoso, o delírio pode ter consequências graves, mesmo se os sintomas durarem apenas um curto período de tempo.

Delirium torna o paciente dependente de cuidados, retarda suas chances de alta caso esteja internado, pode levar o mesmo a internação e coloca o paciente em risco de morte se não for tratado à tempo.

Dr. Shamik Bhattacharyya, da Harvard Medical School e Hospital Brigham and Women, em Boston, MA, realizou um estudo retrospectivo usando dados históricos dos pacientes.

Ele descobriu que as ligações entre antibióticos e delirium pode ser mais forte do que se pensava anteriormente.

A atual revisão investigou registros médicos em um período de 70 anos. Dr. Bhattacharyya investigou 391 pacientes que tinham tomado antibióticos e, posteriormente, desenvolvido delirium e problemas neurológicos. Nada menos que 54 antibióticos de 12 classes estavam envolvidos.

Os antibióticos em questão variaram de versões intravenosos, como sulfonamidas utilizadas em doenças infecciosas do trato gastrointestinal, o ciprofloxacino para infecções do aparelho urinário e a penicilina utilizada para tratamento de sífilis e gonorréia.

Os efeitos neurológicos dos antibióticos variaram: 47% dos pacientes tiveram alucinações ou delirium; 14% tiveram convulsões; 15% apresentaram espasmos musculares e 5% perderam algum grau de controle sobre seus movimentos. Além disso, 70% dos casos tiveram testes de eletroencefalograma (EEG) anormal.

De acordo com Medical News Today, o pesquisador Dr. Bhattacharyya relata que este efeito dos antibióticos no sistema neurológico não havia causado muito impacto em pesquisas anteriores. Ele disse:

“Este fato foi realmente reconhecido há décadas, à partir do uso generalizado da penicilina em meados do século 20. No entanto, esta questão não foi exaustivamente investigada porque o fenômeno é sub-reconhecida pelos médicos nos hospitais e na comunidade. ”

Ele continua a dizer que estes efeitos adversos não é uma regra; a grande maioria dos pacientes não terá essas reações neurológicas, o que torna mais difícil sua ocorrência.

Categorização entre uso de antibióticos e Delirium:

Em uma tentativa de delinear os padrões encontrados nos dados, o Dr. Bhattacharyya dividiu os tipos de reação aos antibióticos em três categorias:

Tipo 1 – na sua maioria associados com penicilina e cefalosporinas: caracterizada por convulsões. Sintomas podem ocorrer dentro de dias do início do tratamento e desaparecem alguns dias após o término do tratamento.

Tipo 2 – na sua maioria associados com penicilina procaína, sulfonamidas, fluoroquinolonas e aos macrolídeos: caracteriza-se por psicose. Os sintomas apareceram poucos dias depois de iniciar o tratamento e desapareceram alguns dias após o término do tratamento.

Tipo 3 – associado apenas com metronidazol: os pacientes apresentaram exames anormais de eletroncefalograma, coordenação muscular prejudicada e outros sintomas neurológicos. O aparecimento dos sintomas neste caso levou semanas, e persistiram por muito mais tempo do que as categorias do tipo 1 e 2.

A revisão também observa a possibilidade de que a infecção, que exigiu a antibioticoterapia, poderia ter causado o próprio delirium. Mas, especialmente, nos casos em que o sistema nervoso central não foi implicado, a associação de delirium com os antibióticos, em vez da doença, foi considerado provável.

Dr. Bhattacharyya, o pesquisador responsável pela pesquisa, foi questionado sobre quais os mecanismos que ele achava que poderia estar em jogo na geração destes sintomas neurológicos, e ele disse:

“Os antibióticos reagem não só contra as bactérias, mas também têm efeitos através da interferência com a sinalização normal dentro do cérebro (off-alvo). Diferentes antibióticos afetam o cérebro de forma diferente, portanto, causando uma variação de padrões de toxicidade.”

Um processo infeccioso pode causar delirium e os antibióticos são usados para tratar a infecção. No entanto, de acordo com este estudo, deve-se ficar atento pois o seu uso em alguns casos também pode causar delirium. Infelizmente nos dias de hoje ainda este fenômeno particularmente continua intratável e difícil de entender.

Dr. Bhattacharyya espera aumentar a consciência entre os médicos e continuar a investigar essa interação; disse Mediacal News Today Jornal que na próxima etapa, ele espera “colaborar em vários centros”, a fim de recolher dados pertinentes tanto quanto possível.

Espero que tenham gostado.

Abraços medicinais.

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