A síndrome de Miller Fisher, também conhecida como síndrome de Fisher, é um distúrbio neurológico caracterizado por fraqueza súbita na face, perda de reflexos e má coordenação.

A síndrome de Miller Fisher (SMF) é uma doença autoimune rara que acomete as terminações nervosas. É uma forma menos grave da Síndrome de Guillain Barré.

Esta síndrome é uma condição neurológica de início súbito que causa problemas no sistema nervoso periférico, incluindo:

  • Problemas na coordenação e equilíbrio – ataxia
  • perda de reflexos
  • queda de musculatura facial – arreflexia
  • descontrole das pálpebras – oftalmoplegia

A MFS é uma variante mais branda da síndrome de Guillain-Barré (SGB). Ambos são considerados condições auto-imunes que se desenvolvem quando o sistema imunológico ataca o sistema nervoso.

A sídrome de Guillain Barré pode causar fraqueza, formigamento e paralisia nos membros. Formas mais graves desta síndrome podem dificultar a respiração. Estima-se que 5%  a 10% dos portadores de SGB podem desenvolver paralisia respiratória que pode requerer respiração artificial em casos mais graves.

A síndrome de MF tem um bom prognóstico, e a maioria das pessoas começam a se recuperar dentro de 2  4 semanas No entanto, algumas pessoas podem apresentar efeitos duradouros e recaídas.

Como o MFS é uma condição tão rara, às vezes pode ser difícil diagnosticar. Uma pessoa que acha que tem uma dessas condições precisa consultar um especialista.

Os sintomas surgem rapidamente, o que a distingue de outras condições neurológicas de início gradual.

Os três principais sintomas da SMF são:
  • perda de controle dos movimentos do corpo, incluindo fraqueza ou movimentos descontrolados
  • perda de reflexos, principalmente nos joelhos e tornozelos
  • fraqueza no rosto, incluindo inclinação facial, dificuldade em manter os olhos abertos e visão embaçada

Para a maioria das pessoas, os sintomas começam nos olhos. Muitas pessoas com SMF sentem muita dificuldade para andar. Algumas pessoas experimentam outros sintomas neurológicos, como dificuldade para urinar

A síndrome de Miller Fischer pode progredir para síndrome de Guillain Barré, e o tratamento para as duas condições é idêntico.

Atualmente há duas opções de tratamento primário para SMF. O primeiro envolve uma injeção de proteínas chamadas imunoglobulinas por via endovenosa (EV). A abordagem alternativa é um processo chamado de troca de plasma, que é um procedimento para limpar o sangue.

A troca de plasma envolve a remoção de um pouco de plasma sanguíneo, a limpeza e a colocação de volta ao corpo. A troca de plasma pode levar várias horas e é um procedimento mais difícil do que a terapia com imunoglobulina, então a maioria dos médicos prefere o tratamento EV com proteínas imunoglobulinas.

Algumas pessoas que têm SMF podem precisar de tratamentos adicionais

Um estudo descobriu que a terapia com imunoglobulina reduziu ligeiramente o tempo que algumas pessoas tiveram problemas oculares e de movimento. No entanto, houve pouca diferença nos tempos de recuperação entre aqueles que tiveram tratamento EV, troca de plasma OU nenhum tratamento. O estudo concluiu que nem a terapia com imunoglobulina ou a troca de plasma afetaram os resultados gerais.

De acordo com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame (NINDS), as pessoas com SMF começam a se recuperar de 2 a 4 semanas após a primeira vez que notaram os sintomas. A recuperação total demora mais tempo, embora a maioria das pessoas recupere-se bem dentro de 6 meses. Menos de 3% das pessoas com SMF experimentam uma recaída meses ou anos depois.

Causas

Os sintomas da MFS são devidos a um tipo particular de lesão dos nervos periféricos, que são protegidos por uma substância chamada bainha demielina, que quando danificada, os nervos não podem funcionar normalmente. Esse processo é chamado de desmielinização.

Pesquisadores sugerem que uma infecção (na maioria das vezes), obriga o corpo a produzir um anticorpo que leva à SMF. Este anticorpo causa danos aos nervos periféricos, afetando os olhos, músculos e, às vezes, a bexiga.

Os médicos geralmente diagnosticam SGB ou SMF através do exame físico e da avaliação dos sintomas que o portador apresenta e pela rapidez com que os sintomas apareceram.

Para fins diagnósticos o exame de sangue pode ser solicitado para testar um anticorpo específico chamado anticorpo anti-GQ1b, que está presente em pessoas com SMF ou SGB. Um teste nos nervos, denominado  teste de velocidade de condução nervosa, ou uma punção lombar que remova um pouco do líquido cefalorraquidiano, também pode ajudar no diagnóstico.

A maioria das pessoas se recupera da SMF, algumas até sem tratamento, no entanto alguns podem evoluir para Sídrome de Guillain Barré e desenvolver complicações graves ou mesmo com risco de vida.

Fonte:

MARCIAL, Edgar Santos et al. Síndrome de Miller Fisher. Arch Neurocien (Mex), v. 12, n. 3, p. 180-182, 2007.

FISHER, Miller. An unusual variant of acute idiopathic polyneuritis (syndrome of ophthalmoplegia, ataxia and areflexia). New England Journal of Medicine, v. 255, n. 2, p. 57-65, 1956.

ANTIGRIPAL, EXTERNA TRAS VACUNACIÓN. Miller Fisher syndrome, internal and external ophthalmoplegia after flu vaccination. Arch Soc Esp Oftalmol, v. 83, p. 433-436, 2008.

 

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