Um estudo recente descobriu, que os testes de rastreamento ocular podem detectar com precisão indivíduos que têm uma forma de comprometimento cognitivo leve e o risco de desenvolver a doença de Alzheimer.

A doença de Alzheimer, pode evoluir do comprometimento cognitivo leve (CCL) – um pequeno declínio na memória e no raciocínio, que não é grave o suficiente para interferir nas atividades diárias, mas é perceptível para o portador que desenvolve a doença.

O estudo, publicado na revista Aging, apoia ainda que as deficiências de movimento ocular têm o potencial de serem usadas como um biomarcador (um indicador) da doença de Alzheimer e o rastreamento ocular é uma ferramenta de diagnóstico promissora.

A pesquisa também revela, que testes de rastreamento ocular podem identificar pacientes considerados com alto risco de desenvolver a doença.

A pesquisa é baseada no trabalho do autor sênior Dr. Trevor Crawford, da Universidade de Lancaster, onde o Dr. Wilcockson trabalhou antes de ingressar em Loughborough.

De fato, de acordo com alguns estudos, 46% das pessoas com diagnóstico de CCL desenvolvem incapacidade cognitiva dentro de 3 anos.  No entanto, o CCL nem sempre se desenvolve incapacidade cognitiva grave, na maioria das vezes permanece estável ou os sintomas desaparecem completamente com o indivíduo recuperando a capacidade cognitiva.

Demência é o nome de um grupo de sintomas que geralmente incluem problemas de memória, pensamento, resolução de problemas, linguagem e percepção.

Não é uma doença por si só, mas é causada por doenças que danificam o cérebro, causando perda de células nervosas.

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa grave que afeta o  cérebro humano e é a causa mais comum de demência.

Atualmente, não há cura para a doença de Alzheimer, no entanto, os tratamentos podem aliviar temporariamente alguns sintomas ou retardar sua progressão em alguns casos.

O diagnóstico atual da doença de Alzheimer depende em grande parte da avaliação do declínio mental, o que pode ser problemático, pois, na maioria das vezes quando a doença é identificada, já pode ter causado graves danos cerebrais, tornando os tratamentos ineficazes.

Pesquisas envolvendo o comprometimento cognitivo leve (CCL) oferecem um caminho animador para o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.

Os especialistas dividiram o CCL em duas formas: amnésico (aCCL) e não amnésico (naCCL). O primeiro descreve o comprometimento que afeta predominantemente a memória, enquanto o segundo afeta outras habilidades cognitivas.

Ter aCCL (comprometimento cognitivo com perda de memória) aumenta significativamente o risco de desenvolver Alzheimer, sendo assim detectar este agravo o mais precocemente possível, pode melhorar a saúde cerebral e reduzir os sintomas de distúrbio cognitivo, especialmente o CCL reversível for a causa.

Por esses motivos, é fundamental conceber um método preciso para diagnosticar os vários subtipos de CCL.

Os pesquisadores decidiram usar a tecnologia de rastreamento ocular para distinguir os dois subtipos de CCL.

Rastreamento ocular como biomarcador diagnóstico útil

Pesquisas anteriores descobriram, que pessoas com Alzheimer demostraram sinais de comprometimento nos movimentos oculares antes dos sintomas cognitivos.

A incapacidade de direcionar o olhar na direção apropriada geralmente acompanha os estágios iniciais da doença de Alzheimer, e os testes padrão de rastreamento ocular podem revelar esse sinal de demência.

No novo estudo, os pesquisadores começaram a usar esses testes de rastreamento ocular para detectar subtipos de CCL.

A pesquisa envolveu 42 participantes com diagnóstico de aCCL e 47 pessoas com naCCL, bem como 68 participantes diagnosticados com doença de Alzheimer e 92 controles pareados por idade que eram cognitivamente saudáveis.

Os estudiosos descobriram que pessoas com aCCL demostraram padrões de movimento ocular muito semelhantes aos diagnosticados com a doença de Alzheimer, fornecendo um suporte adicional ao rastreamento ocular como uma ferramenta útil de diagnóstico.

Sabendo que pessoas com CCL são mais propensas a desenvolver demência como a doença de Alzheimer do que indivíduos cognitivamente saudáveis, os pesquisadores observaram que,  particularmente as pessoas com declínio cognitivo do tipo aCCL tem um risco maior de progredir para uma demência grave. O diagnóstico ocular, pode oferecer uma ferramenta prognóstica adicional para prever quais pessoas com diagnóstico de CCL têm maior probabilidade de progredir para doença de Alzheimer.

Esta pesquisa é extremamente importante, pois um diagnóstico prévio da doença de Alzheimer permitirá que tratamentos efetivos, quando disponíveis, sejam administrados antes que as alterações patológicas no cérebro se tornem generalizadas e permanentes.

Fonte:

https://medicalxpress.com/news/2019-08-eye-tracking-key-alzheimer-disease.html

https://www.medicalnewstoday.com/articles/326161.php

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