A ingestão de gordura sempre esteve presente em nossa dieta. A dieta dos homens das cavernas era composta 50% de alimentos de origem animal e 50% de origem vegetal. A maior parte da gordura vegetal utilizada, era extraída de plantas como a oliveira e a animal da nata do leite, no sul Europeu. Já no norte da Europa era muito utilizada a gordura animal como a manteiga e a banha, que foi exportada em grande quantidade para a América do Norte. No entanto no século 19 a falta de refrigeração tornava a gordura animal cara e perecível. Foi quando dois químicos o Francês Paul Sabatier e o Alemão Wilhelm Normann inventaram a gordura hidrogenada, um processo que transformava óleo líquido em gordura e em 1909 a Procter & Gamble comprou o direito dos usos do produto nos Estados Unidos, em 1911 começou a comercializar em larga escala o produto, para uso humano.

A maior vantagem da gordura hidrogenada (margarina) era o preço, além de durar mais e suas propriedades de cozimento eram superiores a banha animal. O preço baixo destas gorduras que receberam o nome de gorduras trans, foram um achado para as indústrias alimentícias, que substituíram as gorduras mais caras por estes tipos de gorduras e começaram a utiliza-las em refeições processadas, fast-foods, salgadinhos e congelados.

As gorduras vegetais contém cerca de 30% de gorduras trans e as margarinas até 15%, no entanto por muitos anos as industrias de fast foods utilizaram de forma indiscriminada as gorduras trans e este uso somente cessou após a comprovação que seu uso não trazia nenhum benefício à saúde humana, pelo contrário aumentam o “mau” colesterol denominado LDL que causa na atualidade 30 mil a 100 mil mortes por doenças cérebro vasculares somente nos Estados Unidos. No entanto o excesso de gordura trans além da obesidade, pode aumentar o risco de Doença de Alzheimer, Câncer de mama, diabetes, doenças hepáticas entre outras.

No entanto não devemos entender que o colesterol, seja um grande vilão para o nosso organismo, ele é fundamental na construção e manutenção das membranas celulares pois ele regula a fluidez da membrana em diversas temperaturas. Algumas pesquisas recentes indicam que o colesterol pode atuar como um antioxidante. O colesterol também ajuda na fabricação da bile (que é armazenada na vesícula biliar e ajuda a digerir gorduras), também é importante para o metabolismo das vitaminas lipossolúveis, incluindo as vitaminas A, D, E e K. Ele é o principal precursor para a síntese de vitamina D e de vários hormônios esteróides (que incluem o cortisol e a aldosterona nas glândulas supra-renais, e os hormônios sexuais como a progesterona, diversos estrógenos, testosterona e derivados).

Mas devemos atentar que para avaliar o risco de doença coronária aterosclerótica, além do colesterol, também têm sido utilizadas as medidas de lipoproteína de baixa densidade (LDL)-colesterol e de triglicerídeos, que atuam como fatores de risco para doenças cerebrovasculares seu excesso se deposita na parede de artérias e veias, porém este colesterol dito “ruim” é controlado pela lipoproteína de alta densidade (HDL)-colesterol, que atua como fator de proteção; e da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL)-colesterol, precursor do LDL-colesterol ruim.

O colesterol é excretado do fígado na bile e é reabsorvido nos intestinos. Em alguns casos pode estar mais concentrado, na vesícula biliar, onde se cristaliza e é um dos principais constituintes da maioria das pedras na vesícula biliar, embora possam ser formadas, menos frequentemente, pedras de lecitina e bilirrubina na vesícula biliar.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 34% dos óbitos, sendo 11,6% por doença cerebrovascular, 9,8% por doença isquêmica do coração, 2,3% por hipertensão arterial e 10,3% por outras causas cardiovasculares.

As dislipidemias classificam-se entre os mais importantes fatores de risco para a doença cardiovascular aterosclerótica, juntamente com a hipertensão, a obesidade e o diabetes mellitus 2. Infelizmente os hábitos alimentares com dietas a base de fast food, e o sedentarismo são os grandes responsáveis pelo aumento do colesterol “ruim” LDL, que como vimos anteriormente é necessário para o metabolismo humano, mas seu excesso pode causar uma série de doenças. Dessa forma se faz necessário aumentar o “bom” colesterol (HDL) á fim de que o mesmo elimine o “mau” colesterol da corrente sanguínea, caso isso não seja possível por dietas ou exercício físicos, o médico pode prescrever medicamentos que objetivem diminuir o nível de colesterol ruim de nosso organismo, um exemplo são as estatinas. No entanto é bom que se saiba toda droga tem um efeito colateral e as estatinas podem prejudicar o metabolismo de vitaminas lipossolúveis como vitamina K, E, D e A.

É fundamental que você controle periodicamente seus níveis de colesterol, visite o médico regularmente, pois ele poderá lhe indicar formas de proteção e prevenção de doenças associadas ao aumento do colesterol (dislipidemias) e promover uma melhor qualidade de vida se você estiver com seus níveis de colesterol no limite ou elevados.

Fonte:
Chaline,Eric. As Piores Invenções da História – E Os Culpados Por Elas – Edição Ilustrada ., Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2015.

BATISTA, Maria da Conceição Rosado; FRANCESCHINI, Sylvia do Carmo Castro. Impacto da atenção nutricional na redução dos níveis de colesterol sérico de pacientes atendidos em serviços públicos de saúde. Arq Bras Cardiol, v. 80, n. 2, p. 162-6, 2003.

VASCONCELOS COSTA, André Gustavo; BRESSAN, Josefina; SABARENSE, Céphora Maria. Ácidos graxos trans: alimentos e efeitos na saúde. Arch. Latinoam. nutr, v. 56, n. 1, p. 12-21, 2006.

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