Uma nova pesquisa, publicada na revista Nature Genetics , identificou novos fatores genéticos de risco para a doença de Alzheimer, além de revelar mecanismos biológicos que podem levar a essa condição neurodegenerativa.

Cerca de 5,7 milhões de pessoas nos Estados Unidos vivem com Alzheimer. Um relatório recente divulgado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) prevê que até o ano de 2060 esse número crescerá para 13,9 milhões.

Os genes desempenham um papel importante, para identificar se um indivíduo irá desenvolver a doença de Alzheimer ou não. Pesquisadores estimam que de 60% à 80% dos portadores da doença, seja devido a herança genética.

Já foram descobertas 20 ligações genéticas que têm relação com a doença, que explicam apenas uma pequena porcentagem da variância genética responsável pela doença de Alzheimer.

Para isso, uma equipe de cientistas, se propôs a descobrir outros fatores de risco genéticos que podem levar a doença. A professora Danielle Posthuma, da Universidade Vrije Universiteit, em Amsterdã, Holanda e colaboradores são os autores desta pesquisa.

Os estudiosos realizaram um estudo de associação genômica de mais de 455.000 pessoas de ascendência europeia. Alguns desses indivíduos, já haviam recebido o diagnóstico de Alzheimer, enquanto outros tinham história familiar da doença.

Como resultado dessa análise combinada, os cientistas descobriram 29 localizações genéticas em todo o genoma que têm associações com a doença de Alzheimer, nove das quais eram novos locos (locais) genéticos.

Esses genes recém-descobertos, lançaram luz sobre possíveis mecanismos biológicos, que podem estar por trás da doença de Alzheimer, tais como, alterações em alguns genes nos tecidos e células que desempenham um papel no sistema imunológico.

Além disso, a análise genética apontou para processos que envolvem lipídios e a “degradação de proteínas precursoras de beta amilóide”.

Especificamente, usando padrões de expressão de genes unicelulares, foi observado que alterações genéticas em genes que são expressos em células da micróglia demonstraram associação a um risco aumentado de doença de Alzheimer.

As células microgliais são uma parte importante do sistema imunológico do cérebro. A descoberta sugere, que é necessário ampliar o foco para incluir também modelos de microglia ao realizar pesquisas funcionais na doença de Alzheimer, além da abordagem convencional dos modelos neuronais.

O estudo, detectou alterações genéticas em proteínas que estão envolvidas em componentes lipídicos.

Esta ligação já havia sido descrita na identificação do gene ApoE – Apolipoproteína do tipo E, e os resultados demostraram que outras proteínas lipídicas também podem ser geneticamente afetadas, além ada ApoE.

As descobertas fortalecem a hipótese, de que a patogênese de Alzheimer envolve uma interação entre o processo inflamatório e lipídios, já que as alterações lipídicas podem prejudicar as respostas imunes da microglia, afetando a saúde vascular do cérebro.

Finalmente, o estudo esclarece a ligação entre a reserva cognitiva e o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. A reserva cognitiva, refere-se à capacidade do cérebro de se adaptar a novos desafios e encontrar novas maneiras de resolver problemas.

Podemos desenvolver e aumentar nossa reserva cognitiva, aprendendo continuamente novas coisas, mantendo a mente ativa e exercitando nosso cérebro.

Pesquisas anteriores, já sugeriram que ter uma maior reserva cognitiva, pode proteger contra a doença de Alzheimer, Parkinson e outras condições neurodegenerativas.

Os resultados encontrados por esta pesquisa e seus colegas reforçam ainda mais essa ideia e apoiam a evidência genética. Ou seja, os genes têm um papel fundamental na ocorrência deste agravo, e a reserva cognitiva é um importante fator de proteção.

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