Estudos que investigam como o treinamento musical pode afetar o cérebro têm crescido muito nos últimos anos.

Ouvir uma música é uma tarefa extremamente complexa, pois engloba diferentes padrões, associações, emoções, expectativas, entre outros. Isto envolve um conjunto de operações cognitivas e perceptivas, que são representadas no sistema nervoso central. Partes dessas operações seriam independentes, e outras integradas, ligadas a experiências prévias do sistema de memória, fazendo com que a experiência musical adquira um significado para o indivíduo.

Trabalhos anteriores mostraram alterações anatômicas e estruturais nas regiões visuais, táteis e auditivas do cérebro.

Entretanto, poucas pesquisas foram feitas além das pesquisas relacionadas as informações áudio visuais.

O último estudo neste campo questionou se musicalidade pode melhorar os tempos de reação do indivíduo (resposta) – não apenas em relação à visão e som, mas também usando estímulos táteis.

Os autores queriam identificar se o treinamento musical de longo prazo também pode melhorar outros processos multissensoriais em um nível comportamental.

O estudo foi realizado na Universidade de Montreal no Canadá. A pesquisa tinha como objetivo  entender como o som e o toque interagem e como afetam os sentidos do indivíduo e a resposta aos estímulos.

O estudo contou com uma amostra de 19 indivíduos não músicos e 16 músicos, selecionados na faculdade de música da UdeM ( Universidade de Montreal – Canadá). Cada músico da amostra teve um  mínimo de 7 anos de treinamento e começaram  a tocar o instrumento entre as idades de 3-10 anos.

Participaram oito pianistas, três violinistas, dois percussionistas, um contrabaixista, um harpista e um violista. Todos, exceto um dos músicos, também tocavam  pelo menos um outro instrumento.

Os não músicos foram selecionados na  Faculdade de Fonoaudiologia da Universidade. Ambos os grupos tiveram uma divisão quase uniforme entre graduados e não graduados.

Numa sala bem iluminada e silenciosa, cada participante foi testado sozinho. Eles colocaram uma mão em um mouse e o outra em um dispositivo vibro-tátil que vibrava em intervalos aleatórios. Na frente de cada participante foi colocado um alto-falante que emitia rajadas de ruído em pontos aleatórios no tempo.

Os participantes foram convidados a clicar no mouse se sentissem uma vibração, ouvissem um som, ou experimentassem ambos de uma vez. Todas as possibilidades – áudio, tátil e áudio-tátil – foram apresentadas 180 vezes a cada pessoa.

Uma vez analisados ​​os dados, os resultados foram claros.

Foram encontrados tempos de reação significativamente mais rápidos com os músicos para estimulações auditivas, táteis e multi sensoriais, o que sugere, pela primeira vez, que o treinamento musical de longo prazo, melhora a resposta tátil, auditiva e sensorial.

Segundo os autores, quando esses resultados são tomados em conjunto com resultados anteriores, eles inferem que os músicos são melhores do que os não músicos na integração da resposta de diferentes sentidos.

No entanto o que os pesquisadores querem identificar é  que se apesar dos tempos de reação diminuírem durante o processo de envelhecimento, quem sabe aulas de música não podem ser úteis para este subconjunto de adultos mais velhos.

Os autores acreditam que quanto souberem  sobre o impacto da música em processos sensoriais básicos, mais poder se há aplicar o treinamento musical a indivíduos que podem ter tempos de reação mais lentos.

Esta nova informação aumenta o peso das recentes descobertas sobre os benefícios para a saúde da música e da formação musical. À medida que os estudos são feitos, a música pode muito bem se tornar uma forma comum de terapia adjuvante para uma série de condições clínicas.

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