A pandemia do COVID-19 afetou países em todo o mundo: e teve um impacto importante na atenção primária à saúde.

A Organização Mundial de Saúde,  define a atenção primária à saúde como “uma abordagem de toda a sociedade à saúde e ao bem-estar, centrada nas necessidades e preferências de indivíduos, famílias e comunidades”.

“A atenção primária à saúde”, explica a OMS, “garante que as pessoas recebam cuidados abrangentes – desde promoção e prevenção a tratamento, reabilitação e cuidados paliativos – o mais próximo possível do ambiente cotidiano das pessoas.”

O acesso aos cuidados de saúde é um direito humano fundamental, mas a pressão que a pandemia do COVID-19 colocou nos sistemas de saúde em todo o planeta afetou a prestação de cuidados primários na população em geral.

Devido aos temores relacionados à disseminação do novo coronavírus, os prestadores de serviços de saúde em todo o mundo vêm minimizando o contato pessoal com seus pacientes.

Nos EUA diversas especialidades médicas mudaram para consultas pessoais menos frequentes ou se voltaram para a telemedicina. No Brasil o Teleatendimento vem crescendo de forma exponencial como uma prática no atendimento ao cliente de atenção primária.

Especialistas referem que a telemedicina é mais conveniente e segura, permitindo pacientes com certos distúrbios crônicos recebam o apoio de que precisam, sem se arriscarem, comparecendo pessoalmente às consultas clínicas durante a pandemia.

Desde que a OMS declarou o surto de SARS-CoV-2 uma pandemia, houve uma preocupação generalizada de que, não seria seguro comparecer a consultas regulares em clínicas ou hospitais.

Em todo o mundo, os consultórios médicos fecharam suas portas e muitos mudaram para a telemedicina, seguindo as diretrizes de seu país.

Por exemplo, nos EUA, o CDC (Centro de Controle de Doenças) recomenda que “os sistemas de saúde priorizem as visitas urgentes e atrasem os cuidados eletivos para mitigar a disseminação do COVID-19 nos ambientes de saúde.

Mas o cancelamento de um número significativo de cirurgias eletivas planejadas durante a pandemia deixou muitas pessoas em países como o Reino Unido temendo por sua saúde a longo prazo,  e este fato vem se tornando um dano colateral.

Um artigo recente no BMJ jornal refere que, de acordo com relatórios atuais, o novo coronavírus não explica um “número impressionante” de mortes na comunidade no Reino Unido. Então, se o COVID-19 não as causou, o que aconteceu?

De acordo com David Spiegelhalter, presidente do Centro de Comunicação de Riscos e Evidências da Universidade de Cambridge, diversos pacientes com distúrbios crônicos acabaram desenvolvendo complicações e agravamento de seu quadro evoluindo a óbito, por medo de buscar atendimento a saúde.  Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas caso esses indivíduos tivessem acesso ao atendimento hospitalar.

Muitas pessoas aguardam consultas médicas agendadas que [foram] adiadas por conta da pandemia, e aguardam ansiosos retornar ao tratamento.

Isso pode, em parte, resultar de medidas de bloqueio e políticas de permanência em casa, mas também é provável que isso se deva aos cancelamentos e atrasos nas consultas de atenção primária.

De acordo com um informe técnico do diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, em relatório recente da OMS sugere que “a taxa de progresso [na área de saúde em todo o mundo] é muito lenta para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e será desviada ainda mais por conta da COVID-19.”

Os objetivos do desenvolvimento sustentável são compostos por uma extensa agenda que as Nações Unidas (ONU) adotaram com o objetivo de reduzir a pobreza e outras privações – inclusive no campo da saúde – globalmente até 2030.

“O mundo não fez o suficiente para cumprir a promessa de saúde para todos”, adverte o diretor-geral da OMS.

De acordo com o diretor geral da OMS “ A melhor defesa contra surtos de doenças e outras ameaças a saúde da população, é a preparação de um sistema e saúde forte e sólido com foco na Atenção Primária, caso contrário enfrentaremos não apenas consequências graves a saúde, como também sociais, econômicas e políticas, que diversos países já estão enfrentando nesta pandemia”.

Fonte:

https://www.medicalnewstoday.com/articles/how-the-pandemic-has-affected-primary-healthcare-around-the-world#Missed-vaccines-could-lead-to-other-outbreaks

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