Açafrão é um membro da família do gengibre. Nativo da Índia e do Sudeste Asiático, costuma-se utilizar a raiz de açafrão para dar sabor aos alimentos há milhares de anos.

Historicamente, se associa a cúrcuma por suas propriedades curativas. Ainda hoje o açafrão é considerado como uma panaceia para todos os males. Recentemente, sua popularidade aumentou, como evidenciado pelo recente modismo do café com açafrão.

A curcumina é um composto polifenólico derivado da cúrcuma (açafrão-da-terra) e possui diversos efeitos farmacológicos, incluindo anti-inflamatórios, antioxidantes e anticarcinogênicos. No entanto, sua aplicabilidade clínica é dificultada por sua baixa solubilidade em água, rápido metabolismo e baixa biodisponibilidade após a administração oral.

O produto químico na cúrcuma que mais interessa aos pesquisadores é um polifenol chamado diferuloilmetano, que é mais comumente conhecido como curcumina. A maioria das pesquisas sobre os potenciais poderes do açafrão se concentram nesse produto químico.

Ao longo dos anos, os pesquisadores consideram a curcumina como terapia para uma série de sintomas e condições, incluindo inflamações,  síndrome metabólica, artrite,  doença hepática, obesidade e doenças neurodegenerativas, com níveis variados de sucesso.

Entretanto os cientistas se concentraram nos efeitos da curcumina no tratamento de câncer. Um recente estudo publicado na revista Nutrients, se concentrou em estudar principalmente as vias de sinalização celular que desempenham um papel no crescimento e desenvolvimento do câncer e em como a cúrcuma pode influenciá-los.

Em sua análise, os cientistas prestaram atenção especial à pesquisa envolvendo câncer de mama, de pulmão e no sistema digestivo.

Neste estudo os pesquisadores concluíram que a curcumina pode ser um candidato promissor como um medicamento anticâncer eficaz para ser usado sozinho ou em combinação com outros medicamentos.

De acordo com a revisão, a curcumina pode influenciar uma ampla gama de moléculas que desempenham um papel no câncer, incluindo fatores de transcrição, que são vitais para a replicação do DNA; fatores de crescimento; citocinas, que são importantes para a sinalização celular; e proteínas apoptóticas, que ajudam a controlar a morte celular.

Juntamente com as discussões em torno da influência molecular da curcumina nas vias do câncer, os autores também abordam os possíveis problemas com o uso da curcumina como droga.

Com isso em mente, alguns pesquisadores estão tentando criar maneiras de fornecer curcumina ao organismo e protegê-lo da metabolização. Por exemplo, pesquisadores encapsularam o produto (curcumina) em uma nanopartícula de proteína observaram resultados promissores em laboratório com cobaias.

Embora os cientistas tenham publicado muitos trabalhos sobre curcumina e câncer, há necessidade de mais estudos, pois,  os resultados da presente revisão são estudos in vitro, o que significa que os pesquisadores os conduziram em laboratórios usando células ou tecidos. Embora esse tipo de pesquisa seja vital para entender quais intervenções podem ou não influenciar o câncer, nem todos os estudos in vitro se traduzem em seres humanos.

Infelizmente, poucos estudos testaram as propriedades anticâncer da açafrão ou da curcumina em humanos, e os estudos em humanos realizados foram em pequena escala. No entanto, além das dificuldades e dos dados limitados, a curcumina ainda tem potencial como tratamento anticâncer.

Os autores  responsáveis pela publicação na revista Nutrients, acreditam que a curcumina pertence ao grupo mais promissor de compostos naturais bioativos, que podem ser úteis no tratamento de vários tipos de câncer. No entanto deixam claro que mais estudos devem ser feitos, a fim de identificar o efeito da curcumina na saúde humana.

Fonte:

Nutrients 2019 , 11 (10), 2376; https://doi.org/10.3390/nu11102376

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