A doença de Parkinson é uma doença progressiva, que atinge o sistema nervoso podendo afetar a mobilidade, bem como a capacidade do seu portador em realizar atividades diárias.

Esta doença acarreta danos às células nervosas responsáveis ​​pela produção de dopamina, um neurotransmissor que atua no cérebro auxiliando na transmissão de impulsos elétricos para os músculos. Sem esses impulsos, uma pessoa terá dificuldades em se mover de forma coordenada.

A doença de Parkinson pode afetar os movimentos de uma pessoa, mas também pode afetar seus processos de pensamento, função mental e memória e, o resultado pode ser uma doença chamada demência de Parkinson.

O que é demência de Parkinson?

A demência de Parkinson é causada quando um composto, conhecido como alfa-sinucleína, que se acumula no cérebro. Estes depósitos de proteínas são conhecidos como corpos de Lewy.

Os sintomas associados à demência de Parkinson incluem:

– Ansiedade e irritabilidade

– Delírios

– Depressão

– Dificuldades para dormir

– Dificuldade em falar claramente

– Dificuldade em aceitar o que é visto e interpretar

– Sonolência diurna excessiva e movimentos oculares rápidos

– Alterações da memória

– Paranoia

– Alucinações visuais

Diferenças entre Demência de Parkinson e outras Demências

Demência é o resultado de alterações morfofuncionais no cérebro que podem levar à perda de memória e uma incapacidade de pensar com clareza. Há vários tipos demência, entre elas:

Doença de Alzheimer: De acordo com a Alzheimer’s Association, a doença de Alzheimer é o tipo mais comum de demência, afetando entre 60 à 80% de todos os casos. Os sintomas incluem perda de memória, depressão, dificuldade na comunicação, confusão, dificuldade para caminhar e dificuldade na deglutição.

– Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ): A DCJ representa uma série de sintomas, também conhecida como doença priônica ou “doença da vaca louca” e encefalite espongiforme. Uma pessoa com DCJ pode apresentar perda de memória de curto prazo, alterações de comportamento, ausência de sono, alterações na coordenação dos movimentos, entre outros.

– Demência com Corpos de Lewy: Esta condição provoca depósitos de alfa-sinucleína no cérebro de seu portador. Os sintomas podem ser semelhantes aos da doença de Alzheimer. Pessoas com demência com corpos de Lewy também apresentam distúrbios do sono e alucinações visuais vívidas e recorrentes, além de instabilidade postural, apresentam um alto risco de quedas.

– Demência frontotemporal ou demência de Pick: A demência frontotemporal afeta frequentemente pessoas na faixa etária dos 45 aos 65 anos, com atrofia na região fronto temporal, onde se nota a presença de corpúsculos de Pick , seus sintomas incluem mudanças na personalidade, no comportamento e no movimento.

– Doença de Huntington: Este distúrbio genético é devido a um defeito genético no cromossomo 4 que leva a mudanças de humor, movimentos anormais e depressão.

– Demência mista: A demência mista ocorre quando uma pessoa apresenta sinais de demência que estão associados a uma ou mais causas, tais como demência de corpo de Lewy e demência vascular ou doença de Alzheimer.

– Hidrocefalia de pressão normal: Ocorre pelo aumento da pressão intracraniana devido ao acúmulo de liquido. Este distúrbio afeta a memória, o movimento e a capacidade de controlar a micção.

– Demência vascular: Também conhecida como demência pós-acidente vascular cerebral, esta condição ocorre depois que o indivíduo sofre um acidente vascular cerebral, caracterizado pelo sangramento ou obstrução de vasos no cérebro. Este tipo de demência geralmente afeta a cognição e os movimentos.

– Síndrome de Wernicke-Korsakoff: Esta condição ocorre devido a uma deficiência a longo prazo de vitamina B1 ou tiamina. É mais comum em indivíduos que abusam do álcool. O principal sintoma desta síndrome é a memória severamente prejudicada e alucinações.

A demência de corpos de Lewy e a demência de Parkinson apresentam muitas semelhanças pois em ambas encontram se corpos de Lewy no tecido cerebral afetado. No entanto, a forma como os corpos de Lewy se apresentam na demência de Parkinson parece diferente daquelas formadas na demência dos Corpos de Lewy.

Causas e fatores de risco

Infelizmente ainda não se sabe ao certo as causas da doença de Parkinson.

Acredita-se que a doença de Parkinson de início precoce possa ser atribuída a alterações genéticas, possivelmente herdadas dos pais.

Os pesquisadores identificaram vários fatores de risco que podem tornar uma pessoa com doença de Parkinson mais propensos a desenvolver demência.

Entre eles:

– Idade avançada no momento do diagnóstico;

– Sonolência diurna excessiva;

– Alucinações antes que outros sintomas de demência apareçam;

– Sintomas parkinsonianos como bradicinesia (lentidão de movimentos) e rigidez

– Comprometimento leve de pensamento

– Sintomas de comprometimento de movimentos mais severos do que a maioria das pessoas com doença de Parkinson

Como a doença de Parkinson progride ao longo do tempo?

De acordo com a Associação de Alzheimer, estima-se que 50 a 80% das pessoas com doença de Parkinson irão evoluir para Demência de Parkinson. A progressão média do tempo desde o diagnóstico da doença de Parkinson até a demência da doença de Parkinson é em torno de 10 anos.

A demência de Parkinson pode afetar a independência e autonomia de seu portador. Isso ocorre porque em estágios avançados levar a prejuízos na comunicação, a capacidade de compreender a linguagem falada, a memória e a atenção.

Diagnóstico da demência de Parkinson

Uma pessoa será mais frequentemente diagnosticada com a doença de Parkinson antes de qualquer sintoma de demência se iniciar. Isso ocorre porque uma pessoa é mais propensa a desenvolver problemas de mobilidade das mudanças nos padrões de pensamento.

Se uma pessoa se apresenta com estes sintomas, um médico deve monitorá-los tanto para as alterações motoras quanto a cognição.

Um indivíduo deve notificar seu o médico se experimentar alguns do seguintes sintomas:

– Depressão

– Dificuldade de pensar com clareza

– Alucinações

– Perda de memória

– Distúrbios do sono

No entanto, alguns destes sintomas podem ser efeitos colaterais de medicamentos utilizados na doença de Parkinson, caso o portador apresente qualquer um destes sintomas a notificação é necessária para que se possa descartar possíveis causas de demência.

É muito difícil diagnosticar a ocorrência de demência porque não há um teste que possa definitivamente comprovar que uma pessoa tem demência ou algum tipo específico de demência.

O primeiro passo que o profissional de saúde pode tomar é considerar a saúde geral do indivíduo, ou a presença de quaisquer alterações na saúde, movimento e comportamento ao longo do tempo. Às vezes, familiares ou cuidadores terão de fornecer essas informações, pois a pessoa pode não se lembrar de ou estar ciente destas alterações.

Se uma pessoa com doença de Parkinson começa a experimentar sintomas de demência um ano ou mais após o diagnóstico, é bem provável que receba o diagnóstico de demência da doença de Parkinson.

Neste caso podem-se recomendar estudos de imagem, como uma ressonância magnética (RM), que pode identificar qualquer alteração cerebral que poderiam estar causando os sintomas e excluir outras causas (inclusive causas tratáveis).

Exemplos de outras causas seriam um tumor cerebral ouo fluxo sanguíneo restringido para o cérebro por AVE (acidente vascular encefálico). O exame não confirmará necessariamente que uma pessoa tenha a demência de Parkinson, mas excluirá outras possíveis causas.

Tratamento e prevenção

Não existe cura para a demência de Parkinson. Ao invés disso, os tratamentos são focados na redução dos sintomas associados à demência. Isso pode incluir uso de alguns medicamentos. Entre eles:

– Antidepressivos: geralmente prescritos os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) como Prozac®, Celexa®, Lexapro® ou Zoloft® para reduzir a depressão.

– Inibidores da colinesterase: Estes medicamentos são destinados a reduzir os efeitos do declínio cognitivo (pensamento) em pessoas com demência.

– Clonazepam: esta droga pode ajudar a melhorar a qualidade do sono.

– Levodopa: Este medicamento pode melhorar o controle de movimento afetado pela doença de Parkinson, mas pode agravar a confusão e os sintomas de demência.

Os médicos também podem prescrever medicamentos antipsicóticos, mas deve fazê-lo com cautela. Isso ocorre porque os efeitos colaterais podem reduzir episódios psicóticos, mas aumentar os sintomas de Parkinson. Estes fármacos também podem causar maior confusão e mudanças na consciência.

A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou recentemente uma nova droga antipsicótica, conhecida como pimavanserina, ou Nuplazid. Este fármaco foi demonstrado tratar eficazmente alucinações, sem causar os efeitos colaterais de alguns outros medicamentos antipsicóticos.

Pode ser indicada uma combinação destes medicamentos como forma de reduzir os sintomas. É importante discutir os benefícios e os efeitos colaterais ao considerar os tratamentos.

Pessoas com Parkinson também podem se beneficiar de terapia física, ocupacional e fonoaudiológica para melhorar as habilidades de movimento e comunicação.

Prevenção da demência de Parkinson

Atualmente, os médicos não sabem como prevenir a doença de Parkinson.

Enquanto, algumas pessoas podem ter uma predisposição genética para a doença, os pesquisadores ainda não identificaram um gene específico.

Perspectivas

A expectativa de vida de pessoas com demência de doença de Parkinson é diferente daquelas com doença de Parkinson. De acordo com a Parkinson’s Disease Foundation, 79,1 % das pessoas com doença de Parkinson demência morreram em um período de 6 anos, enquanto 64% morreram com Parkinson apenas…

Embora a demência afete a taxa de sobrevivência de seu portador, existem muitos medicamentos, tratamentos e apoio disponíveis para uma pessoa que tenha a doença de Parkinson. Os pesquisadores estão trabalhando em novos medicamentos e tratamentos. Isso pode eventualmente levar a uma cura.

Fonte:

http://www.medicalnewstoday.com/articles/314486.php

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