O Coronavírus ou COVID-19 é muito diferente de uma gripe pois seu portador apresenta, maior mortalidade e infectividade.

O COVID-19 é infeccioso mesmo durante a fase pré sintomática. O receptor da enzima de conversão da angiotensina 2 (ACE2), que permite que o vírus entre no corpo, também pode ser a chave de proteção em estágios avançados da doença.

De acordo com pesquisadores, a doença COVID-19 se divide em quatro fases separadas que correspondem aproximadamente aos diferentes níveis de gravidade: leve, moderada, grave e crítica.

No entanto, os processos fisiológicos subjacentes a essas fases se sobrepõem. Pessoas com COVID-19 podem  apresentar os sintomas a seguir:

Fase 1: Invasão celular e replicação viral

O SARS-CoV-2 e o SARS-CoV penetra em nosso organismo através do Receptor ACE2, conhecido por seu papel no controle da pressão arterial e dos eletrólitos, esses, também está presente nos pulmões, na parte posterior da garganta, no intestino, no músculo cardíaco e nos rins.

Na SARS, quase não existem sintomas do trato respiratório superior, e os vírus raramente estão presentes fora dos pulmões. Esse fato inicialmente afastou o foco de continuar procurando receptores ACE2 no nariz.

Recentemente, uma equipe internacional de pesquisadores encontrou receptores ACE2 em células calciformes (secretórias)   nas células ciliadas do nariz, também encontraram receptores ACE2 na boca e na língua, indicando uma via de transmissão mão-a-boca.

Os pesquisadores também descobriram um suprimento abundante de uma protease chamada TMPRSS2, que se separa quimicamente do topo do pico de coronavírus para permitir que o RNA SARS-CoV-2 penetre nas células nasais.

Uma vez dentro da célula, o material genético do vírus direciona a célula a fabricar milhões de novas cópias de si mesma.

O SARS-CoV-2 pode se ligar 10 vezes mais rápido para inserir seu RNA na célula, começando a explicar por que o COVID-19 se espalha tão rapidamente.

Um estudo sobre amostras virais de nove pessoas internadas em um hospital após rastreamento de contato – como parte de um conjunto de casos de COVID-19 na Alemanha – mostrou a importância da replicação no nariz para a disseminação precoce do vírus.

Em média, houve 676.000 cópias do vírus por swab do trato respiratório superior durante os primeiros 5 dias de sintomas

A perda de olfato foi o sintoma do trato respiratório superior mais comumente relatado em portadores  com teste positivo para COVID-19, afetando 59% das pessoas. Era mais comum que tosse persistente (58%) ou voz rouca (32,3%).

Fase 2: Replicação no pulmão e sistema imunológico em alerta

A replicação viral ativa ocorre no trato respiratório superior. Estando a tosse entre os sintomas iniciais.

No pulmão, o receptor ACE2 fica no topo das células pulmonares chamadas pneumócitos. Estes desempenham um papel importante na produção de surfactante – um composto que reveste os alvéolos, ajudando assim a manter tensão superficial suficiente para manter os alvéolos prontos para a troca de oxigênio e dióxido de carbono.

Assim que o corpo reconhece uma proteína estranha, surge a primeira resposta. Uma parte da resposta imune do corpo – os linfócitos – começa a produzir os anticorpos do tipo IgM de primeira defesa e, em seguida, os anticorpos neutralizantes específicos de longo prazo (o IgG).

O que se sabe até agora é que 80% dos portadores de Coronavírus terão sintomas comuns como febre, tosse e perda do olfato. A maioria terá apenas respostas fisiológicas de fase 1 ou 2 à infecção por SARS-CoV-2.

Fase 3: Pneumonia 

Aproximadamente 13,8% das pessoas com COVID-19 podem evoluir para casos graves e necessitarão de hospitalização quando apresentarem falta de ar. Desses indivíduos, 75% podem apresentar pneumonia bilateral.

A pneumonia por COVID-19 ocorre quando,  partes do pulmão se consolidam e colapsam. O surfactante reduzido nos alvéolos da destruição viral de pneumócitos dificulta a passagem de ar aos alvéolos abertos.

Como parte da resposta imune, os glóbulos brancos, como neutrófilos e macrófagos, entram nos alvéolos. Enquanto isso, os vasos sanguíneos ao redor dos mesmos ficam prejudicados em resposta a substâncias químicas inflamatórias liberadas pelos glóbulos brancos.

Esse fluido exerce pressão sobre os alvéolos do lado de fora e, em combinação com a falta de surfactante, os levam ao colapso.

Como resultado, a respiração se torna difícil e a área da superfície do pulmão, onde geralmente ocorre a transferência de oxigênio, se reduz, levando à falta de ar.

O corpo tenta se curar promovendo respostas inflamatórias e imunológicas. A  Organização Mundial de Saúde (OMS) desaconselha o uso de glicocorticosteróides durante esta fase, pois eles podem impedir a resposta natural de resposta do organismo.

A maioria dos pacientes se recupera nesta fase com fluidos intravenosos de suporte e oxigênio através de uma máscara de pressão positiva externa.

Fase 4: Síndrome do desconforto respiratório agudo, tempestade de citocinas e falência de múltiplos órgãos 

O tempo médio de aparecimento dos sintomas é de 10 dias,  e pode ocorrer repentinamente em uma pequena proporção de pessoas com doença leve ou moderada.

Na síndrome do desconforto respiratório agudo grave (SDRA), o estágio da inflamação cede lugar ao estágio da fibrose. Os coágulos de fibrina se formam nos alvéolos e os microtrombos de plaquetas (pequenos coágulos sanguíneos) obstruem os pequenos vasos sanguíneos no pulmão, responsáveis pela troca gasosa com os alvéolos.

As citocinas são mediadores químicos que liberam os glóbulos brancos, como os macrófagos, e podem destruir as células infectadas. Essas citocinas – que têm nomes como IL1, IL6 e TNFα – têm ações que incluem a dilatação das paredes dos vasos mantendo-as permeáveis. Em circunstâncias extremas, isso pode levar ao colapso do sistema cardiovascular e a morte.

Como prevenir o contágio do novo coronavírus 

De acordo com recomendações do Ministério da Saúde, há pelo menos cinco medidas que ajudam na prevenção do contágio do novo coronavírus:

  • lavar as mãos com água e sabão ou então usar álcool gel.
  • cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir.
  • evitar aglomerações se estiver doente.
  • fique em casa.
  • lave os alimentos e embalagens ao chegar em casa.
  • Fonte:
  • https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMsr2005760
  • https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/JAHA.120.016219
  • https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2761044
  • https://www.who.int/publications/i/item/clinical-management-of-severe-acute-respiratory-infection-when-novel-coronavirus-(ncov)-infection-is-suspected

Deixe seu recado

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *