Por volta dos meus 13 anos, eu falava muito para minha falecida mãezinha o quanto ela era “demodê” ou coisa parecida…

Isso porque ela vivia falando: “NO MEU TEMPO era assim ou assado…”

Hoje, com mais de 40 anos, me vejo fazendo exatamente o que eu criticava…

Me pego muito fazendo comparações das coisas que acontecem hoje em dia com aquelas que aconteciam no meu tempo de juventude…

Lembro-me das vezes que pedia benção aos meus pais e, não pedia pra ver!!!! O castigo era certo!!! E era falado assim: “Bença mãe”, “Bença pai”. Após isso podia começar o dia… Ir pra escola, fazer lição de casa ou brincar na rua….

O respeito aos pais e aos mais velhos eram exigidos e cobrados a todo momento. E ai de mim se não respeitasse o mais velho. E, o mais velho era qualquer pessoa que tivesse mais idade que eu… Devia chamar de “senhora” e “senhor”, pois se minha mãezinha estivesse por perto e eu não desse o respeito ao mais velho, a gente iria se entender em casa… Só ela e eu!!!! AAAAAAAAHHHHHHH… Perna pra que te queroooooooo….

Entretanto, este respeito exigido NO MEU TEMPO, me vale demais hoje em dia, pois aprendi a respeitar qualquer pessoa, seja ela mais velha ou não….

E tem mais!!!

Sim!!!! NO MEU TEMPO, com 13 anos eu saía para brincar na rua com os meus coleguinhas.

Brincávamos de pega-pega, mamãe da rua, esconde-esconde, queimada, bolinha de gude, entre outros… A noite, os pais colocavam as cadeiras para fora das suas casas e ficavam cuidando dos seus pimpolhos que estavam brincando na rua…

Hoje em dia as crianças ou adolescentes não sabem o que são essas brincadeiras, a não ser que tenha on line e que eles possam disputar com algum amigo virtual do outro lado do mundo, o qual ele não conhece e nem se interessa em conhecer, somente é mais um amigo para disputar aquele jogo na internet… E tenho a certeza de que muitos jovens de hoje em dia, nem sabem do que estou falando…

Fora que, brincar destas coisas com 13 anos, hoje em dia, é “queimar o filme” da pessoa. As pessoas desta idade já têm atitudes muito mais “adultas” do que muitos quarentões iguais a mim… E, estas atitudes podem ser tanto para o bem quanto para o mal, da própria pessoa e de outras pessoas também… Vemos isso a todo o tempo no noticiário…

E as roupas que eu vestia???? Lembro-me muito bem da costureira que fazia minhas roupinhas: Dona Ariovalda. Uma senhora com seus 70 anos ou mais, seus dedos eram tortos por causa da sua vida inteira trabalhando numa máquina de costura, usando seus óculos bem espessos, seu cabelo arrumado em coque e com uma redinha preta para segura-lo, vestindo sua saia rodada e sua blusa de botões grandes e brilhantes.

Ela vinha sempre em minha direção com a fita métrica no pescoço e sua pulseira contendo muitos alfinetes… Era um mede de frente, mede atrás, mede comprimento e altura… Para, depois de uns três retornos, eu sair de lá com meu vestidinho rodado e fofo…

Confesso que na época eu não gostava muito, não… Era uma tortura tanta visita na Dona Ariovalda e sempre os mesmos papos e rituais!!!

Mas, hoje em dia, sinto muita saudade deste carinho e atenção, pois agora quando vou comprar roupa sempre vou em loja de departamento, sempre correndo e pego a peça que mais me chamar a atenção, provavelmente, a mesma roupa que muitas pessoas já compraram ou que comprarão depois de mim. Não tem mais a dedicação e exclusividade do meu tempo!!!

Aquele vestidinho rodado e fofo era feito somente para mim…

Na minha época de juventude, quantos bailinhos eu frequentei!!!! Nos divertíamos demais com a dança da vassoura… E esta dança não tinha más intenções… E ninguém queria ficar dançando com a vassoura, não!!! Senão era sempre motivo de piadas entre os amigos.

Também lembro das formas de paquerinha. Eu escrevia cartinhas de amor para o meu paquera da escola, a qual demorava dias pra ficar pronta…

Colocava bastante perfume no papel, geralmente usava papel de carta que eu colecionava e, chegava bem cedo na escola pra colocar a carta embaixo da carteira dele, antes que chegasse, é claro, senão passaria por uma vergonha imensa.

Até ele ler e dar um sorriso disfarçado, sinal de que tinha gostado, eu ficava numa agonia aterrorizante!!! E, lógico que eu ficava angustiada pra saber se, no dia seguinte, teria a resposta dele em forma de cartinha perfumada também… Ai, ai…

E a época das festas juninas???? Êta coisa boa de se lembrar!!!

Tinha correio elegante, cadeia do amor, quadrilha e casamento, todos vestidos com suas roupas rasgada, estampas em xadrez, sais rodadas para as meninas e calças rasgadas e “pula-brejo” para os meninos, chapéus todos desfiados e maquiagem a caráter, tudo como mandava o figurino…

Era a maior emoção receber um correio elegante e tentar descobrir quem tinha mandado. Várias hipóteses eram lançadas pelas amigas. E todo mundo rindo, pois não sabíamos se era de verdade ou alguém só zombando da cara da gente!!!

Ser preso na cadeia do amor era uma surpresa: se fosse quem eu paquera, era ótimo! Mas, se fosse aquele que você não suportava e você foi presa com ele porque seus “amigos da onça” só queriam curtir com a sua cara!!!! Isso era um inferno na minha vida!!!

Em junho deste ano, fui a uma festa junina da igreja perto de casa. Não acreditei que na festa caipira havia barracas de comida japonesa, italiana e francesa… Pensei comigo: “Tudo está mesmo mudado e globalizado, né???”.

E quando ganhei minha primeira vitrolinha!!!! Ai, foi a realização de uma vida!!! Eu ficava hora e horas escutando historinhas faladas, tipo Branca de Neve, Gato de Botas, Joãozinho e Maria entre outros. As tardes eu tirava um tempo pra dançar as musiquinhas da época, tipo Xuxa (sim, sou geração Xuxa), Balão Mágico e Trem da Alegria… Meu mundo se resumia naquela sala e naquela vitrola…

Estas são apenas algumas situações que irei escrever DO MEU TEMPO…

Mas tem várias outras situações como, o almoço de domingo, a missa dominical que tínhamos que ir, a vigília da Páscoa, as redações que tinha que fazer quando voltava as aulas com o tema “minhas férias”, os gostos dos alimentos que eram diferentes, e muito mais… Se for falar de tudo irei escrever um livro…

E, termino minhas histórias dizendo o que minha mãezinha sempre falou: NO MEU TEMPO…

Demorei muitos anos para ver que eu vivi as coisas DO MEU TEMPO…

Mas eu precisei DO MEU TEMPO para conseguir enxergar que as coisas, hoje em dia, mudaram…

Sem julgar se foram para melhor ou pior, simplesmente mudaram…

As formas de respeito são outras, bem como as brincadeiras, a forma de comprar roupas, as baladas de finais de semana, a forma de se mostrar interessada e iniciar um romance, as festas juninas e outras festas de época, as formas de reproduzir som (CD, DVD, blu-ray, pen drive), o ensino, o gosto dos alimentos, a reunião familiar, entre outras coisas…

Não podemos e nem devemos comparar épocas diferentes…. Pois elas, simplesmente, são diferentes…

Agora sou capaz de ver que cada pessoa tem O SEU TEMPO e, o que mais vale a pena na vida é que, independente de qual seja ESSE TEMPO, ele seja bem vivido, com seus aprendizados e experiências…

E, cada pessoa também tem O SEU TEMPO até para enxergar quais eram as diferenças NO SEU TEMPO comparado com O TEMPO EM QUE VIVEM…

Assim, as pessoas que vivem no tempo de agora, daqui há alguns anos também irão falar: NO MEU TEMPO…

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