A histamina realiza vários papéis no nosso organismo. Talvez seu efeito mais conhecido seja no sistema imunológico, mas a histamina também ajuda a regular a função intestinal e atua como um neurotransmissor, além disso  exerce um efeito vasodilatador predominantemente sobre os vasos sanguíneos finos, o que leva a um aumento da permeabilidade vascular.

Graças ao seu papel nas reações alérgicas, os medicamentos que reduzem os níveis de histamina – anti-histamínicos – são comumente prescritos para reações alérgicas. A histamina é um dos principais mediadores químicos envolvidos na resposta inflamatória anafilática e na resposta alérgica. Sendo pré-formada e armazenada nos mastócitos, tendo sua liberação mediante estimulação, como no caso da hipersensibilidade imediata e nas reações alérgicas pela interação do antígeno anticorpo na superfície dos mastócitos.

Drogas que aumentam os níveis de histamina são menos comuns, mas são prescritos em alguns casos para o tratamento de vertigem.

Histamina e memória

Atualmente, pesquisadores demonstram maior interesse nos estudos que avaliam a relação entre o aumento da histamina e melhorias na memória, mas ainda não entendem completamente a interação.

Os pesquisadores esperam que, estudando a interação entre os dois, possam vislumbrar formas inovadoras de tratar indivíduos com memórias prejudicadas em casos de demência.

No entanto, um estudo recém-publicado, apresentou resultados da relação de como a histamina afeta a memória de longo prazo.

A equipe foi liderada pelo Prof Yuji Ikegaya e Hiroshi Nomura, Ph.D., da Universidade de Tóquio, no Japão e os resultados publicados na revista Biological Psychiatry.

Para investigar, eles recrutaram 38 homens e mulheres, em torno dos 20 anos de idade. Os pesquisadores pediram aos participantes para memorizar imagens de objetos do cotidiano, como relógios de pulso e óculos.

Alguns dias depois, eles testaram os participantes. Os pesquisadores mostraram a eles algumas das imagens originais misturadas com algumas que não haviam visto antes. Os pesquisadores, pediram aos participantes para identificar quais das fotos que tinham visto na sessão inicial.

Então, 7 a 9 dias depois, os pesquisadores testaram os participantes novamente. No entanto, desta vez, antes do julgamento, os participantes fizeram uso de placebo e depois de uma droga que aumentou os níveis de histamina no cérebro.

Como esperado, a histamina teve um impacto positivo nas pontuações dos testes de memória de alguns participantes. Para indivíduos com memórias mais fracas, o aumento da histamina ajudou-os a reconhecer mais imagens do que na primeira rodada de testes.

É importante notar também que a histamina só estimulou a memória de longo prazo – não melhorou nenhuma outra capacidade cognitiva.

Uma descoberta do estudo é especialmente intrigante. Os pesquisadores mostraram aos participantes uma imagem particular. No entanto, alguns dias depois, eles não conseguiram se lembrar de ver essa imagem. Então, cerca de uma semana depois, após o tratamento com histamina, eles conseguiram lembrar que haviam visto a imagem.

Mas os autores advertem que se qualquer pessoa pensar em utilizar essa droga como auxílio de estudo, que sejam advertidos que não são recomendados sem acompanhamento e sua eficácia somente foi observada na memória de longo prazo.

No entanto, nem todos os indivíduos tiveram uma melhora. Aqueles que tiveram melhor desempenho nos testes de memória pré-medicação viu uma queda no desempenho após o tratamento com histamina.

E, para todos os participantes, sejam eles de alta ou baixa pontuação, as imagens mais fáceis de serem lembradas nos testes de pré-medicação tornaram-se mais difíceis de lembrar depois de aumentar os níveis de histamina.

Os pesquisadores acreditam que essa surpreendente contradição pode envolver algo chamado ressonância estocástica.

Ressonância Estocástica

Se um sinal for fraco demais para um sensor detectar, a ressonância estocástica pode ajudar a impulsioná-lo. Funciona adicionando ruído branco ao sinal. As frequências do sinal original ressoam com o ruído branco, levantando-o acima do resto do ruído branco, facilitando a detecção.

Os cientistas acreditam que a memória funciona de duas maneiras. Em primeiro lugar, é um sistema “digital” – sim ou não – é possível recordar a memória, ou não é.

Ao mesmo tempo, o cérebro pode armazenar informações como um gradiente – os nervos não disparam até que os níveis de atividade atinjam um certo limiar. Antes de atingir este limiar, não podemos nos lembrar, mas uma vez que os níveis tenham excedido o limiar, é possível.

Os cientistas pensam que a histamina pode aumentar o gradiente além do ponto que dispara os neurônios para serem estimulados. Desta forma, uma memória latente – uma memória armazenada que não podemos acessar – se torna acessível.

Por outro lado, se uma memória já estiver acima do gradiente, a adição de histamina extra produz muito ruído e a atividade nervosa adicional dificulta a lembrança.

Os cientistas esperam que essa pesquisa possa ter implicações mais amplas. A compreensão de como a histamina influencia a memória pode ajudar a planejar tratamentos para a doença de Alzheimer e outros tipos de demência.

Fonte:

https://www.u-tokyo.ac.jp/focus/en/press/z0508_00022.html

https://www.medicalnewstoday.com/articles/324129.php

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