Há poucos anos atrás se acreditava que indivíduos que tinham um grau maior de instrução tinham um risco menor de desenvolver a doença de Alzheimer, que é a forma mais comum de demência  caracterizada por perda progressiva de memória.

Estudos recentes, entretanto refutam  este fato, pois o que ocorre é que um alto nível de educação estimule a reserva cognitiva (brain reserve),  que se refere à capacidade do cérebro de preservar e manter a função cognitiva, apesar de qualquer dano.

Uma alta reserva cognitiva tem retarda o  comprometimento cognitivo, que pode ocorrer naturalmente, à medida que envelhecemos. Mas seria realmente eficaz na prevenção ou desaceleração do desenvolvimento da doença de Alzheimer?

Uma nova pesquisa – da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, MD – não encontrou nenhuma ligação entre a reserva cognitiva de pessoas idosas e um menor risco de doença de Alzheimer.

No entanto, o estudo confirma que pessoas com níveis educacionais mais elevados podem permanecer cognitivamente funcionais por mais tempo, graças ao fato de que sua “reserva” leva mais tempo para se esgotar.
Os investigadores relatam suas descobertas em um estudo que apresentado no Journal of Alzheimer Disease. Os pesquisadores, no entanto, alertam que o estudo apenas analisou associações e não relações de causa e efeito.

“O estudo foi projetado para procurar tendências, não provar causa e efeito”, no entanto, a principal implicação deste  estudo é que a exposição à educação e melhor desempenho cognitivo quando se é jovem jovem pode ajudar a preservar a função cognitiva por um tempo, mesmo que seja improvável que altere o curso da doença.

Educação não afeta nível de declínio cognitivo só retarda. Ou seja, pessoas cultas podem demorar mais para apresentar os sintomas.

A equipe analisou dados coletados pelo estudo “Risco de Aterosclerose em Comunidades”  (ARIC), que incluiu informações de quase 16.000 participantes saudáveis ​​no início do estudo e que se juntaram ao mesmo na meia-idade entre 1987 e 1989.

Os pesquisadores acompanharam o progresso da saúde dos participantes por cerca de duas décadas, até que os voluntários estivessem com 76 anos, em média. Entre o número total de participantes, aproximadamente 57% eram mulheres e 43% foram identificados como afro-americanos.

No presente estudo, os pesquisadores se concentraram em 331 dos participantes sem demência no início do estudo, para quem tinham dados de PET Scan(exame de imagem do cérebro).

Destes participantes, 54 não tinham ensino médio, 144 tinham concluído o ensino médio ou obtido um diploma de Desenvolvimento de Educação Geral (GED), e 133 haviam frequentado alguma faculdade ou recebido outro tipo de educação formal continuada.

Estes participantes concordaram em submeter-se a exames de Ressonância Magnética e Pet Scan  para que os pesquisadores pudessem avaliar os níveis de beta-amiloide no cérebro. Placas beta-amiloides tóxicas, interrompem a comunicação das células cerebrais, são características da doença de Alzheimer.

Além disso, os pesquisadores avaliaram a função cognitiva dos participantes entre as idades de 65 e 84 anos.

A análise dos pesquisadores revelou que pessoas com níveis mais altos de educação formal, envolvendo treinamento universitário ou profissional, tiveram escores de função cognitivos mais altos – independentemente da quantidade de beta-amiloide no cérebro – em comparação com outros que tinham níveis mais baixos de educação e qualquer quantidade de beta-amiloide no cérebro.

Esses resultados indicam que, embora níveis mais altos de educação estejam vinculados a ter uma melhor função cognitiva por mais tempo, eles se relacionam ao risco de desenvolver o mal de Alzheimer.

Alto nível cultural não é fator protetivo para doença de Alzheimer.

Ao separar os dados com base nas etnias dos participantes, os pesquisadores também observaram que os participantes brancos com melhores escores de função cognitiva na idade adulta tiveram um risco 40% menor de níveis elevados de beta-amiloide.

Os dados sugerem um alto nível educacional parece desempenhar um papel importante  na  manutenção da reserva cognitiva que ajudou as pessoas a se saírem melhor nos  testes aplicados no início do estudo,  mas não afeta o nível real de declínio em portadores de doença de Alzheimer, nem protege o indivíduo de desenvolver a doença.

Fonte:

https://www.medicalnewstoday.com/articles/325452.php

Créditos de imagem:

<a href=”https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/pessoas”>Pessoas foto criado por tirachardz – br.freepik.com</a>

Deixe seu recado

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *