Gota uma forma de artrite devido a hiperuricemia, que é desencadeada por um acúmulo de ácido úrico no sangue, é considerada a forma mais comum de artrite inflamatória em homens acima de 40 anos

O corpo cria ácido úrico durante o metabolismo das purinas, que estão presentes em altos níveis em certos alimentos, incluindo carne e frutos do mar.

Se o nível de ácido úrico no sangue ficar muito alto, podem formar-se cristais de ácido úrico (urato monossódico) nas articulações.

Em pessoas suscetíveis à gota, esses cristais em forma de agulha tendem a se acumular nas articulações principalmente no dedão do pé, causando inflamação e dor severa.

A dor pode ser tão intensa que se torna impossível andar, colocar meias ou até mesmo encostar uma folha sobre a articulação afetada.

Estima-se que mais de 8 milhões de pessoas tenham gota em países desenvolvidos como os Estados Unidos, , o que equivale a quase 1 em cada 25 adultos. Afeta os homens cerca de três vezes mais do que as mulheres.

A gota é uma doença que parece estar se tornando cada vez mais comum; do final dos anos 70 até meados dos anos 90, a prevalência duplicou.

Um fator por trás disso é o aumento das taxas de obesidade pois ela aumenta o risco de hipertensão , e ao uso  algumas drogas para tratar e controlar e hipertensão como os diuréticos, que aumentam o risco de gota.

A gota é mais comum em pessoas maduras, o envelhecimento da população provavelmente aumentará o número de casos desta doença.

Sinais e sintomas

Dor e inflamação ocorrem quando uma grande quantidade de ácido úrico se cristaliza e se deposita nas articulações.

Os sintomas de gota incluem dor intensa, vermelhidão e inchaço nas articulações, na maioria das vezes nos  pés. Os ataques podem acontecer a qualquer momento, em geral à noite.

Com o aumento da concentração de ácido úrico no sangue, ocorre a deposição de cristais nos tecidos, principalmente nas articulações, causando inflamação e consequentemente dor e inchaço acometendo principalmente as articulações do dedão, tornozelos e joelhos. A gota é caracterizada, por ataques recorrentes de artrite aguda, provocados pela precipitação,  de cristais de ácido úrico, nos espaços articulares. O quadro clínico se caracteriza por dor que frequentemente começa durante a madrugada e é intensa o suficiente para despertar o paciente. Embora qualquer articulação possa ser afetada, sobretudo as dos membros inferiores, o hálux (dedão) é a articulação mais frequentemente envolvida na primeira crise. Além da dor a articulação comumente apresenta-se inflamada com presença de calor, rubor (vermelhidão) e inchaço. Também pode haver formação de cálculos, produzindo cólicas renais e depósitos de cristais de ácido úrico debaixo da pele, formando protuberâncias localizadas nos dedos, cotovelos, joelhos, pés e orelhas (tofos).

Fatores desencadeantes

Alguns fatores podem desencadear uma crise de gota em indivíduos hiperuricêmicas como ingestão de álcool, principalmente vinho tinto e cerveja, dieta rica em determinados tipos de alimentos (ricos em purina), trauma físico, cirurgias, quimioterapia e uso de diurético.

A gota se não tratada adequadamente,  aumenta o risco de outras doenças, incluindo doenças cardiovasculares e cálculos renais.

Conhecida como a doença dos reis, pode ter afetado personalidades tais como Alexandre o Grande, Voltaire, Isaac Newton, Voltaire, Charles Darwin e Leonardo da Vinci e sempre esteve relacionada aos homens de meia-idade das classes mais abastadas, com uma vida menos regrada e associada ao sedentarismo e aos excessos.

Muitas pessoas ainda associam a gota ao rei Henrique VIII e seu estilo de vida excessivamente luxuoso. No passado, e ainda hoje, as pessoas consideram a doença uma doença da riqueza e da realeza.

A gota tem uma longa história; cientistas encontraram evidências de ácido úrico nas articulações de egípcios mumificados de 4 mil anos de idade, e a primeira descrição precisa da gota parece ter vindo de Hipócrates por volta de 400 AC.

Um artigo discutindo a gota na literatura do século 16 e 18 explica que “a gota era considerada um distintivo da nobreza, um talismã contra outras aflições e um afrodisíaco”.

De acordo com este artigo, na antiguidade se referiam à gota como morbus dominorum e dominus morborum , ou “senhor da doença e doença dos senhores”.

Mais cedo ainda, os gregos antigos personificaram a gota como Podagra, filho de Dionísio (deus do vinho) e Afrodite (deusa do amor). Consequentemente, na época romana, os autores consideravam um excesso de sexo, comida e vinho seriam fatores desencadeantes de gota.

Estranhamente, na Europa do século XVI a XVII,  considerava-se a gota uma cura e não uma doença.  O confinamento da dor a uma articulação de um dedo do pé protegia o resto do corpo da doença.

Então, como vemos, a gota foi associada a ser uma condição associada a boa vida, tornando-se quase desejável em tempos passados.

Essas associações ficcionais deixaram uma marca indelével no subconsciente da sociedade: aqueles que experimentam a gota tendem a se culpar e, portanto, sentem-se envergonhados, enquanto aqueles que não têm essa condição fazem suposições (subconscientemente ou não) sobre as escolhas de vida.

A verdade da questão

É verdade que determinados tipos de alimentos e bebidas – como álcool, bebidas açucaradas, crustáceos e carne – podem aumentar o risco de episódios de gota, mas há mais a perder do que um estilo de vida hedonista. Algumas pessoas simplesmente têm uma predisposição para a gota, independentemente do estilo de vida.

Tratamento

Não há cura total para a gota. A terapêutica objetiva diminuir a dor e inflamação nas crises agudas e a correção da hiperuricemia subjacente visando prevenir episódios futuros e evitar lesões nas articulações. É necessário evitar os fatores desencadeantes ou que propiciam a formação de ácido úrico, além de um aumento na ingestão de líquidos para otimizar a taxa de fluxo urinário. A crise aguda de gota pode ser controlada com o uso de colchicina, antiinflamatórios ou a associação de ambos com alívio em geral após 2 horas da dose inicial.

Essas medicações devem ser usadas sempre sob prescrição médica e com cautela em pacientes com insuficiência renal, hipertensão, ulceração péptica ou gastrite. Medicações com objetivo específico de diminuir os níveis de ácido úrico também devem ser iniciadas e mantidas a longo prazo, com o cuidado de se aguardar a resolução completa da crise aguda para o seu início. Quando a presença de tofos prejudica a função articular a retirada cirúrgica também pode ser indicada. É importante frisar que a gota não é uma doença incapacitante e quando tratada adequadamente não interfere na qualidade de vida.

Fatores de risco

Estilo de vida: Obesidade é um dos maiores riscos para hiperuricemia e gota, ao reduzir a excreção de ácido úrico e aumentando a produção de purinas. Ingesta aumentada de carnes vermelhas, frutos do mar e peixes, parece ter um efeito de aumento da incidência de gota. O aumento de ingesta de gorduras saturadas está relacionado com aumento da resistência insulínica, a qual reduz a excreção renal de urato. Pessoas que ingerem grandes quantidades de laticínios, principalmente os de baixo teor de gordura, têm menor risco de gota.

Ingesta de bebidas alcoólicas está associada com aumento de risco de gota de forma dependente da dose, independentemente do tipo de bebida alcoólica. O álcool induz hiperuricemia tanto pelo aumento da produção de uratos quanto pela redução da excreção. Consumo de café reduz o nível de ácido úrico em longo prazo, ao bloquear a ação da xantina-oxidase, além de reduzir os níveis de insulina e aumentar a sensibilidade do organismo à insulina.

Alta ingesta de vitamina C também reduz o nível sérico de ácido úrico. Certas medicações podem afetar nos níveis de ácido úrico no organismo. Baixas doses de salicilato, fenofibrato, losartana e bloqueadores de canais de cálcio reduzem os níveis séricos de ácido úrico. Betabloqueadores e tiazídicos aumentam níveis de ácido úrico sérico.

Gerenciando as crises de gota
  • Evitar o consumo de frutos do mar, sardinha, miúdos (rim e fígado), excesso de carne vermelha e pele de aves quando os níveis de ácido úrico estiverem altos porque você pode desencadear uma crise. Sob tratamento, esses alimentos podem ser ingeridos sem exagero
  • O consumo de bebidas alcoólicas também pode ser feito sem exageros quando os níveis de ácido úrico estiverem controlados
  • Evitar uma dieta hipercalórica, pois leva à obesidade que é um fator de risco para os portadores de gota além do excesso de peso sobrecarregar as articulações inflamadas
  • Aumentar a ingesta hídrica
  • Procure o tratamento e acompanhamento médico adequado caso haja doenças associadas como hipertensão arterial, diabetes, entre outros.
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