Na maioria das culturas do planeta, dança e música são expressões culturais prevalentes.

Este desejo onipresente pela música, vem se modificando e aprimorando-se na cultura moderna.

Descobertas recentes, demonstram que a música e a dança podem trazer alterações neurológicas significativas em seus praticantes, principalmente se tiverem início na infância.

Pesquisadores do Laboratório Internacional para o Cérebro em Montreal, Canadá, recentemente iniciaram um estudo para entender o que muda dentro do cérebro em indivíduos que praticam música e dança, e o que estas atividades podem produzir de benefícios aos seus praticantes.

Estudos anteriores, demostraram que o treinamento de música a partir de uma idade mais jovem podem trazer alterações que favoreçam o desenvolvimento do cérebro.

Um estudo de revisão publicado em 2014, concluiu que as mudanças que o treinamento musical faz no cérebro são as relacionadas a conexões que passam entre os dois hemisférios cerebrais (corpo caloso). No entanto, os cérebros dos dançarinos têm recebido muito menos atenção científica até este recente estudo.

Embora estas habilidades envolvam treinamento intenso, a dança se concentra na integração, auditiva e coordenação motora e visual, enquanto a musicalidade concentra-se principalmente na informação auditiva e motora.

Usando uma técnica de imagem avançada, denominada tensor de difusão, a equipe de pesquisadores analisou em detalhes a estrutura da substância branca do cérebro de dançarinos, músicos e indivíduos sem formação, em nenhumas destas atividades.
As diferenças entre dançarinos e músicos, foram mais acentuadas do que os pesquisadores poderiam esperar.

Os pesquisadores descobriram que bailarinos e músicos diferiam em muitas regiões da substância branca, incluindo vias sensoriais e motoras, tanto nos níveis fundamentais até as superiores cognitivas de processamento intelectual.

As vias que foram mais afetadas no cérebro, foram os feixes de fibras que ligam as regiões sensoriais e motoras e as fibras do corpo caloso que correm entre os hemisférios. Nos dançarinos, estes conjuntos de conexões eram mais amplos (mais difusos); em músicos, essas mesmas conexões eram mais fortes, mas menos difusas, e demonstrou feixes de fibras mais coerentes.

O que segundo os pesquisadores pode ser sugestivo, que a dança e a formação musical podem afetar o cérebro em direções opostas, aumentando a conectividade global e melhorando a passagem das fibras na formação em relação a dança, e reforçando percursos específicos neurais no treinamento da música.

As diferenças observadas, podem ser porque dançarinos treinam todo o seu corpo, causando uma representação mais ampla no córtex neural, fortalecendo as fibras neurais a atravessar áreas cerebrais e aumentar de tamanho as conexões neurais; enquanto músicos tendem a focar a sua formação em partes específicas do corpo, como os dedos ou boca, que exercem representações corticais menores no cérebro.

Entender como o treinamento de dança e música afeta diferentemente os canais de redes cerebrais nos permitirá usar essas atividades seletivamente para melhorar o funcionamento cerebral e até mesmo compensar dificuldades das doenças que envolvem essas redes específicas do cérebro.

 

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