Cientistas identificam vários compostos canabinóides que podem tratar o câncer colorretal.

Uma equipe da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual da Pensilvânia, em Hershey, testou centenas de canabinóides em vários tipos de células cancerígenas colorretais em humanos em laboratório.

Testaram 10 canabinóides sintéticos que demostraram a capacidade de interromper o crescimento de células cancerígenas.  Os compostos de cannabis bem conhecidos tetra-hidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD) não demonstraram eficácia na interrupção de crescimento do câncer.

Os pesquisadores veem suas descobertas como um ponto de partida para novos estudos, no sentido de entender melhor, os efeitos anticâncer observados, e avaliar o potencial dos compostos para o desenvolvimento de medicamentos para o tratamento, de câncer colorretal.

Os resultados foram publicados em um artigo na resvista publicado na Cannabis and Cannabinoid Research .

De acordo com os cientista, agora que eles conhecem os efeitos destes compostos, eles podem tentar alterá-los,  para torná-los mais potentes contra as células cancerígenas.

De acordo com o World Cancer Research Fund, o câncer colorretal é o terceiro câncer mais comum em todo mundo

Por várias décadas, as taxas gerais de diagnósticos e mortes por câncer colorretal vêm caindo. Os especialistas atribuem isso a alterações nos fatores de risco, triagem mais assertiva e melhores tratamentos.

No entanto, esse declínio, mascara uma tendência oposta na medida em que as taxas e mortes por câncer colorretal estão aumentando entre aqueles com 50 anos ou menos. As razões para isso permanecem incertas, embora os fatores de risco como, obesidade, mudanças na dieta e estilo de vida sedentário possam estar envolvidos.

Canabinóides é um termo utilizado para identificar um grupo de compostos que atuam nos receptores canabinóides.

Receptor é uma proteína que recebe sinais e fica dentro das células podendo alterar o comportamento das mesmas, quando se liga a uma molécula que corresponde à sua afinidade.

Existem três categorias principais de canabinóides:

■ fitocanabinóides que ocorrem naturalmente na planta de maconha; 

■ os endocabinóides, que são um conjunto de receptores e enzimas que trabalham como sinalizadores entre as células e os processos do corpo;

■ canabinóides sintéticos que são produzidos em laboratório.

Pesquisas sobre os usos médicos de canabinóides,  tendem a se concentrar no tratamento de dores e condições como ansiedade e depressão.

No entanto, mais recentemente, os cientistas demonstraram crescente interesse nos potenciais efeitos anticâncer dos canabinóides.

Para o estudo recente, os pesquisadores optaram por investigar canabinóides sintéticos. De uma seleção de 370 moléculas identificaram 10 canabinóides sintéticos que “inibiam a viabilidade celular” em sete tipos de células cancerígenas colorretais provenientes de tumores humanos.

O pesquisador responsável pelo estudo, explicou que o câncer pode surgir nas células de várias maneiras diferentes. Cada uma das sete células testadas, tinham uma causa ou mutação diferente que levou ao câncer, mesmo sendo todas células do cólon, referem os pesquisadores.

Para montar a amostra, a equipe cultivou células cancerígenas por 8 horas e depois as trataram com um dos compostos por mais 48 horas.

Se um composto demonstrasse sinais de ser capaz de reduzir a viabilidade em um tipo de célula cancerígena colorretal, os pesquisadores testavam o composto nos outros seis tipos.

Após mais testes e análises, reduziram o número para 10 compostos.

O estudo observou que 10 compostos sintéticos foram altamente eficazes e moderadamente potentes, para reduzir a viabilidade de sete linhas celulares de câncer colorretal.

Para fins de comparação, eles executaram testes em dois fitocanabinóides conhecidos THC e CBD. No entanto, estes compostos mostraram uma capacidade insignificante de limitar a viabilidade das células cancerígenas colorretais.

Os 10 compostos pertencem a três classes diferentes de canabinóides sintéticos.  Entretanto o pesquisador responsável pelo estudo, acredita ser necessário mais pesquisas para entender melhor como os compostos funcionam e como torná-los mais potentes e eficazes contra o câncer colorretal.

Agora sabe-se como este mecanismo funciona, que é inibindo a divisão das células cancerígenas.

Fonte:

https://www.liebertpub.com/doi/10.1089/can.2018.0065

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