A doença de Parkinson é uma doença geralmente associada a tremores, rigidez e dificuldade de movimentação, mas a esta doença também pode causar alucinações e delírios.

As alucinações afetam os sentidos e podem resultar em delírios onde os portadores podem queixar-se de estar ouvindo, sentindo, cheirando e experimentando coisas que não são reais.

A presença de delírios e alucinações pode acometer até 40% dos portadores de doença de Parkinson e esse número aumenta à medida que a doença progride. De acordo com pesquisadores, estes sintomas são denominados como psicose associada à doença de Parkinson.

As alucinações podem ocorrer como efeito colateral de medicamentos, mas também podem ser um sintoma da doença de Parkinson ou apontar para outro problema, como demência.

O que são alucinações?

As alucinações podem afetar qualquer sentido. Eles envolvem ver, ouvir, sentir, cheirar ou saborear algo que não está realmente lá, geralmente ocorre quando o paciente está acordado.

Existem diferentes tipos de alucinações que portadores de Parkinson podem apresentar:

  • Visual: pessoas com doença de Parkinson geralmente têm alucinações visuais, como ver animais ou pessoas que realmente não estão lá.
  • Auditivo: um pequeno número de pessoas com doença de Parkinson pode ouvir vozes ou sons que não são reais.
  • Olfativo: é raro para alguém com doença de Parkinson cheirar um odor não relacionado a uma fonte.
  • Tátil: a sensação de algo tocando a pele também é incomum na doença de Parkinson.
  • Gustativo: sabor não real na boca também é incomum na doença de Parkinson.
Delírios

Delírios são menos comuns do que alucinações, afetando 8% das pessoas com doença de Parkinson, no início da doença, no entanto a medida que a doença avança os delírios também.

Delírios são pensamentos, crenças ou preocupações que não são baseadas na realidade. Eles podem ser mais complicados e desafiadores de tratar do que as alucinações.

Embora um indivíduo possa ter delírios sobre qualquer coisa, existem alguns temas comuns na psicose associada à doença de Parkinson. Esses incluem:

  • Ciúme: o indivíduo pode acreditar que um amigo ou parceiro é infiel e agir de forma paranoica, ou desconfiada.
  • Perseguição e paranoia: A pessoa pode se sentir atacada e assediada e que alguém está tentando pegá-la ou prejudicá-la. Eles podem agir de forma paranoica, suspeita ou retraída.
  • Somático: O indivíduo pode ficar obcecado com seu corpo ou saúde e acreditar que seu corpo é incomum. O portador pode ter vontade de ir ao médico com frequência e ficar muito preocupados com os sintomas.

Delírios de ciúme e perseguição são os mais comuns em pessoas com doença de Parkinson e às vezes podem levar à agressão que pode representar um risco de segurança para a família do indivíduo e cuidadores.

Além disso, aqueles que experimentam paranoia podem se recusar a tomar seus medicamentos, pois acreditam que são venenosos.

Por essas razões, os cuidadores podem precisar de ajuda externa ao cuidar de um ente querido que está passando por delírios.

Por que a doença de Parkinson causa alucinações?

Existem três razões para que  um indivíduo desenvolva psicose na doença de Parkinson. Estes são:

  • Uso de medicação
  • Demência
  • Delírio

Uso de medicação

Vários medicamentos prescritos para tratar a doença de Parkinson podem causar psicose temporária.

Os medicamentos tradicionais para a doença de Parkinson, incluindo carbidopa-levodopa (Sinemet) e agonistas da dopamina, aumentam o suprimento de dopamina. Embora isso possa melhorar os sintomas motores do portadfor, também pode causar alterações emocionais e comportamentais.

Além disso, outros medicamentos para a doença de Parkinson – como amantadina e anticolinérgicos – podem afetar o equilíbrio da dopamina, reduzindo os níveis do neurotransmissor acetilcolina.

Demência

Se um indivíduo tem doença de Parkinson por mais de um ano e apresentou declínio no pensamento e raciocínio, pode receber um diagnóstico de demência da doença de Parkinson.

A doença de Parkinson afeta inicialmente as áreas do cérebro envolvidas no movimento. No entanto, à medida que as mudanças químicas e físicas se espalham, a condição pode afetar a função mental e contribuir para as alucinações.

Uma mudança fundamental na demência de Parkinson é o desenvolvimento de depósitos incomuns de uma proteína chamada alfa-sinucleína no cérebro. São conhecidos como corpos de Lewy, em homenagem ao neurologista que os descobriu.

Delírio

O delírio pode causar uma mudança temporária e reversível no comportamento e na consciência, que pode levar a alucinações. Normalmente se desenvolve rapidamente, às vezes em apenas algumas horas, e pode desaparecer depois do tratamento da doença subjacente.

Algumas causas possíveis de delírio incluem:

  • Desequilíbrios eletrolíticos
  • Infecções
  • Febre
  • Doença no coração ou Hepática
  • Deficiência de vitamina B12
  • Trauma na cabeça
  • Uso de certos medicamentos, como insulina, sedativos, esteroides e antibióticos.

Pessoas com doença de Parkinson são particularmente sensíveis a mudanças e várias situações podem desencadear o delírio. Isso pode incluir a permanência no hospital e em um novo ambiente.

Fatores de risco para alucinações da doença de Parkinson

Certos fatores podem aumentar o risco de desenvolver alucinações da doença de Parkinson. Isso pode incluir:

  • Demência
  • Distúrbios do sono
  • Visão prejudicada
  • Aumento da idade
  • Doença de Parkinson avançada
  • Uso de medicamentos para a doença de Parkinson

Tratamento para alucinações

Se o portador de Parkinson vier a apresentar alucinações e delírios, deve entrar em contato com um médico o mais rápido possível para evitar que a condição piore.

Como os medicamentos para a doença de Parkinson podem causar alucinações, o médico pode recomendar mudanças para equilibrar os níveis de dopamina da pessoa. Por exemplo, reduzir a dosagem de seus medicamentos ou alterar a prescrição.

Se essa abordagem não aliviar as alucinações do indivíduo, o médico pode recomendar um medicamento antipsicótico para tratar os níveis químicos incomuns no cérebro. No entanto, esses medicamentos exigem cautela, pois podem piorar os sintomas e as alucinações.

Os médicos atualmente consideram três medicamentos antipsicóticos para Parkinson. Estes são:

  • Clozapina (Leponex)
  • Quetiapina (Seroquel)
  • Pimavanserina (NuPlazid)

A doença de Parkinson em si não leva à morte. No entanto, a condição pode impactar negativamente em um indivíduo, colocando-o em maior risco de infecções graves e, portanto, afetando sua qualidade de vida.

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