O assunto deste post é sobre uma doença pouco conhecida, devido à raridade de sua ocorrência, mas seus sinais e sintomas tem preocupado a comunidade científica, pois seu portador apresenta alterações de comportamento e personalidade, o que pode tornar inviável a convivência deste indivíduo em sociedade, bem como o cuidado a este paciente é muito difícil tanto física como emocional ao cuidador, forçando os familiares a internação por não saber lidar nem entender as características da doença.

A doença de Pick ou demência frontotemporal (DFT atingem os neurônios da região frontal e temporal do cérebro) é uma forma menos comum de demência, responsável por menos de 5% do total de casos de demência não tratável no entanto é uma importante causa de demência em pessoas com idade inferior a 65 anos.

Pacientes com este tipo de doença apresentam alterações de personalidade, inicialmente marcadas por mudanças de comportamento, além de um declínio na capacidade de falar de forma compreensível e estes sinais e sintomas podem muitas vezes serem confundidos, nas fases iniciais com depressão ou doença de Alzheimer.

Não há atualmente nenhuma cura para a doença de Pick, mas através da compreensão dos sintomas característicos, pode-se gerenciar melhor a doença e melhorar a qualidade de vida de seu portador.

Esta doença foi descrita em 1892, pelo médico tcheco Arnold Pick e provoca um declínio irreversível na personalidade e comportamento do portador que geralmente evolui para depressão, sendo esta a principal responsável pela gravidade da doença. Embora seja comumente confundido com doença de Alzheimer, a doença de Pick é um distúrbio raro que provoca uma diminuição lenta das células em partes específicas do cérebro, a região fronto-temporal.

Em 25% dos casos devido a presença de corpos de Pick (nome dado aos achados intracelulares nos portadores da doença) e 60% por degeneração microvacuolar (as células da região afetada ficam inchadas por acúmulo de proteína, como uma esponja cheia de água) o que faz com que os lobos frontais e temporais do cérebro, que controlam a fala e personalidade, se atrofiem (diminuam de tamanho devido a morte de células nervosas).

Esta patologia provoca alterações na fala e no comportamento, na evolução do quadro o portador irá ter problemas de memória semelhantes às vividas por pessoas com a doença de Alzheimer, juntamente com problemas de cognição (envolve a capacidade em resolver problemas e memória) e julgamento.

A Doença de Pick, geralmente ataca indivíduos com idades entre 40 a 60 anos, sendo que a idade média de aparecimento dos sintomas é aos 54 anos, é um pouco mais comum em mulheres do que em homens. Infelizmente, a causa do acúmulo de proteína que resulta em doença de Pick é desconhecida.

Alguns estudos sugerem que a doença de Pick, pode ter uma componente genético, e pesquisadores na área, ainda estão em busca de outros fatores de risco.

Diferente da doença de Alzheimer, onde a perda de memória, é um sinal precoce e predominante, os primeiros sintomas da doença de Pick geralmente envolvem alterações de personalidade ou um declínio no funcionamento básico com preservação da memória.

Doença de Pick também ocorre em uma idade mais precoce que a doença de Alzheimer. A progressão dos sintomas da doença de Pick, felizmente, é lenta, porém os sintomas pioram com o tempo conforme as células do cérebro se degeneram.

Os sintomas abaixo são típicos de pacientes com a doença de Pick e os sintomas mais graves aparecem em fases mais avançadas da doença:

  • Alterações de humor e personalidade ( o paciente se torna outra pessoa)
  • Perda de iniciativa
  •  Jocosidade (comportamento desinibido, compulsivo e inadequado)
  • Falta de interesse (principalmente com a higiene)
  •  Ausência de emoção
  •  Perda de interesse para atividades do dia a dia
  •  Incapacidade de julgamento
  •  Isolamento social
  •  Incapacidade em interagir socialmente
  •  Incapacidade de se cuidar
  •  Ecolalia (reprodução do que se ouve, como um eco)
  •  Dificuldade em montar palavras – a fala é incompreensível
  •  Afasia – redução na capacidade de falar
  •  demência progressiva
  •  Perda de memória
  •  Perda de habilidade cognitiva e intelectual
  •  depressão
  •  Incontinência urinária

O diagnostico desta patologia é essencialmente clínico, mas alguns exames de imagem podem determinar o grau de atrofia na região afetada, exames laboratoriais podem auxiliar na exclusão de outras patologias, como deficiência de vitamina B12 ou hipotireoidismo ambas tratáveis.

Não existe tratamento efetivo para esta doença, uma vez que ela é degenerativa e suas causas estão ainda em estudo.

A terapêutica se baseia na melhora dos sintomas apresentados além da manutenção dos aspectos nutricionais.

Uma vez diagnosticados, pacientes e cuidadores podem usar estratégias de autoajuda e apoio profissional para tratar e ajudar a lidar com os sintomas da doença.

Doença de Pick e outros tipos de demência fronto-temporais podem progridem rapidamente, encurtando a vida, em média, cerca de seis a oito anos.

No entanto, algumas pessoas podem ter uma sobrevida de até 20 anos. Não há atualmente nenhuma cura para a doença de Pick, o tratamento dos sintomas visa melhorar a qualidade de vida e incluir medicamentos para controlar os sintomas específicos da doença bem como supervisão regular do paciente e assistência multiprofissional.

O tratamento deve incluir também o apoio emocional e material para o cuidador principalmente se for um familiar, pois a degeneração mental faz com que muitos familiares não reconheçam seu ente querido com a evolução da doença.

O terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo tem um importante papel na terapêutica deste indivíduo, pois exercícios propostos podem melhorar a comunicação e movimento.

Antidepressivos conhecidos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (INRS) podem oferecer algum alívio de apatia e depressão e ajudar a reduzir os desejos de comida, perda de controle dos impulsos e atividade compulsiva.

O conhecimento sobre a doença na fase inicial da doença irá ajudar o paciente a controlar os sintomas e reconhecer as alterações que se apresentam na evolução do quadro clínico.

Reduzir o estresse, pois estresse e ansiedade podem fazer exacerbar muitos sintomas de demência e aumentar problemas de comportamento. O uso de diferentes técnicas de relaxamento como a musicoterapia, meditação e exercícios de respiração profunda, a pet terapia, envolvendo visitas de animais especialmente treinados, também pode ajudar a aliviar o estresse e melhorar o humor.

Tratamento da depressão. A depressão pode ser comum entre aqueles com diagnóstico de demência frontotemporal. Tratar a depressão pode tornar mais fácil para lidar com os outros desafios da doença.

O exercício pode ajudar a aliviar o stress e impulsionar o humor. Qualquer tipo de atividade física, até mesmo caminhadas regulares, pode ser benéfico.

Manter atividade social, o apoio emocional pode ajudar o indivíduo a evitar o isolamento. Participação de um grupo de apoio para pacientes com demência e contato com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes podem ajudar com sentimentos de isolamento e depressão e fornecer uma riqueza de dicas de enfrentamento.

Estimulação mental, jogar cartas ou jogos de palavras, ou completar palavras cruzadas e enigmas de Sudoku pode exercitar o cérebro retardar o declínio cognitivo no portador.

Mas veja bem, apenas um profissional qualificado poderá diagnosticar este distúrbio e o tratamento, quanto mais precoce, mais qualidade de vida seu portador terá no decorrer da doença. Espero que tenham gostado deste post, fiquem em paz e até a próxima.

Deixe seu recado

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *