Olá pessoal, o assunto deste post é sobre envelhecer e morar sozinho.

Ao envelhecer, nos deparamos com várias mudanças em nossas vidas, uma delas é a saída dos filhos de casa ou a morte do parceiro(a) o que nos leva a uma situação de casa vazia, solidão ou até mesmo desamparo. Mas será que isso é o fim do mundo?

Claro que não, quem sabe seja o momento do recomeço, de você aprender a se conhecer e se reconhecer…

As vezes após vários anos morando em companhia de outros, deixamos de fazer coisas que sempre tivemos vontade. Sei lá… andar sem roupa pela casa, deixar a toalha jogada em cima da cama, comer aquele bife que suja toda a casa, ouvir aquela música que você adora no volume que você quer, abrir todas as janelas, coisas que você queria fazer mas que não podia porque haviam as companhias, que deveriam ser respeitadas.

Bem, morar sozinho(a) é um desafio, que poderá ser realidade em algum momento de sua vida.

E ai, como ficam seus filhos neste momento, “tenho medo de deixar minha mãe sozinha”, “meu pai tá muito velhinho”, “tenho medo que ele fique doente e eu esteja longe”…

Tantos questionamentos que nos perguntamos? Qual a melhor maneira de proteger seus pais, quando a idade avança e os problemas aparecem?

Bem, a solução de cada problema sempre dever ser tomada em conjunto com o seu ente querido, os filhos devem respeitar em primeiro lugar a decisão dos pais, se o idoso tem as suas funções cognitivas preservadas, a decisão dele prevalece isto está previsto no estatuto do idoso e na constituição federal.

No mundo globalizado de hoje, muitos filhos são obrigados por conta de seus empregos morar em outros municípios, estados e até mesmo países, o que força a convivência longe de seus familiares e alguns casos o idoso deixa de ter o amparo dos filhos.

De acordo com o IBGE, o número de idosos morando sozinhos na atualidade triplicou nos últimos 20 anos e 65% destes idosos são do sexo feminino…

Nossa!!! Mais mulheres do que homens? Sim, este fato se explica pois temos um maior número de mulheres idosas do que homens um processo que é chamado feminização da velhice, estas mulheres que representam o grande contingente de idosos que moram só geralmente estão viúvas, divorciadas, separadas ou solteiras e já criaram seus filhos também querem manter e preservar sua autonomia.

No caso dos homens este percentual também é significativo atualmente 35%. Este fato vem ocorrendo em todo o mundo, países desenvolvidos têm enfrentando, também, problemas com esta realidade, no entanto o amparo social aos idosos carentes é mais eficiente do que em nosso país.

No entanto, nos dias de hoje a sociedade já não vê mais com maus olhos o idoso que mora só (o que antes era visto como sinal de abandono) e sim como autonomia.

Entretanto, devemos respeitar o outro em relação a sua opinião sobre o que será feito de seu futuro, muitas vezes a casa comprada com sacrifício, seja seu santuário, o local onde ele sente-se bem, onde conviveu com seu parceiro(a), tem suas lembranças, seu cantinho, onde sente-se seguro e a mudança para outro ambiente, não seria uma opção que lhe agradaria, por isso é importante a conversa com familiares e a exposição de sua vontade.

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que os idosos podem viver bem morando sozinhos. Os pesquisadores acompanharam um grupo de pessoas na terceira idade que residiam em um bairro de classe média de São Paulo.

Ao contrário do que a maior parte das pessoas imagina, o idoso pode viver feliz sem morar na companhia dos familiares. A sensação de independência leva muitos idosos a preferir não morar com parentes.

A pesquisa, realizada pelo setor de Geriatria da Unifesp, acompanhou 44 idosos que moravam sozinhos há mais de dez anos. Os pesquisados tinham idades que variavam entre 72 e 94 anos.

A maior parte dos entrevistados – cerca de 97% – afirmaram que preferem morar sozinhos,a voltar a dividir a moradia com outros familiares. Além da sensação de independência, os idosos se sentiam incentivados a continuar sozinhos, para não incomodar parentes.

Quase 85% dos idosos pesquisados eram viúvos. Mais de 80% do grupo era formado por mulheres.

Ao morarem sozinhos, os idosos mantêm sua autonomia e capacidade funcional por mais tempo.

Os dados da pesquisa mostram que não ter uma companhia foi uma opção dos pesquisados, que preferiram o afastamento, apesar do apoio familiar.

A pesquisadora Sônia Geib, autora de uma tese de mestrado baseada no trabalho, explica que muitos entrevistados tinham condições de realizar diversas tarefas diárias.

O mesmo quadro, não é encontrado entre os idosos que moram com as famílias, perdendo a privacidade, a independência e consequentemente, a autonomia. Dividir a moradia com os parentes, pode significar dependência e facilitar a ocorrência de conflitos.

A pesquisa priorizou a mudança no perfil da população e suas necessidades. S

egundo os especialistas da Unifesp, o envelhecimento da população brasileira exige alterações na estrutura social, de forma a criar condições para que o idoso tenha como viver adequadamente, principalmente quando opta por viver sozinho.

Por conta desta estatística, as famílias vêm se preocupando, em promover um local seguro, ao idoso que opta em morar só e alguns cuidados devem ser tomados se o idoso tomar esta decisão:

1- Promover ambiente seguro livre de quedas que incluem os cuidados abaixo:

– Mantenha a casa bem iluminada, principalmente próximo a escadas

– Não apague as luzes dos corredores à noite

– Evite encerar o chão

– Evite andar por pisos ensaboados

– Não tome banho descalço

– Pratique atividades físicas

– Deixe um abajur próximo a sua cama ou interruptor no caso de acordar a noite

– Limpe banheiro ou cozinha com sapato fechado

– Retire tapetes e outros objetos que atrapalhem a passagem

– Se for brincar com animal de estimação, faça-o sentado.

– Instale barras de apoio no box e próximo ao vaso sanitário. Elas são bem baratas e podem ser encontradas em lojas de construção

2- Promover alimentação balanceada e sempre que possível verificar se a alimentação está sendo feita de forma adequada (muitos idosos que moram só, optam por não preparar refeições adequadas por relatarem, não ter vontade de cozinhar para eles próprios e aí escolhem refeições rápidas que nem sempre são saudáveis);

3- Deixe um telefone celular em mãos do idoso com fácil acesso aos números de emergência e ao número dos filhos ou pessoas próximas que possam oferecer socorro: (Disque saúde – 0800 61 1997 – serviço gratuito funciona todos os dias das 8h às 18h. Pode ser acionado de qualquer telefone público. SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – 192 e Corpo de Bombeiros – 193).

4- Deixe uma cópia da chave com um vizinho de confiança ou parente que mora próximo, pode ser muito útil se o filho(a) estiver longe;

5- Se morar em prédios orientar o porteiro a avisar em qualquer anormalidade;

6- Existe um serviço de teleassistência que monitoram o idoso 24hs que por meio de uma pulseira que emite um alarme quando o idoso necessita de ajuda, então o familiar é acionado e o idoso prontamente atendido pelo socorro.

Enfim morar sozinho pode ser uma opção bem vinda, como foi citado na pesquisa acima, mas não se esqueça que o envelhecimento não significa perda de autonomia.

Devemos ter em mente que ao optar por morar, cuidados devem ser tomados e isso pode garantir ao idoso e ao seu familiar uma vida plena, saudável e com qualidade.

Espero que tenham gostado deste post e até breve.

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