Aprendemos desse pequenos que devemos respeitar os mais velhos. Mas agora há evidências científicas, de que o respeito pode aumentar os anos de vida dos idosos e mantê-los fisicamente e mentalmente saudáveis.

Uma análise da rede global de jornalismo Orb Media, descobriu que  países com altos níveis de respeito pelos idosos, registram melhor saúde entre as populações mais velhas e menores níveis de pobreza para maiores de 60 anos.

À medida que entramos em uma nova fase da história – com a previsão que  2,1 bilhões de pessoas irão estar com 60 ou mais  em 2050 – as atitudes em relação aos idosos não acompanharam esse processo.

Em uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde de 2016 em 57 países, 60% dos entrevistados relataram que os idosos não são respeitados.

Um relatório mais recente da Royal Society for Public Health, no Reino Unido, avaliou os sentimentos de 2.000 cidadãos britânicos e encontrou algumas tendências sombrias. Quase metade – 47% – acreditava que as pessoas com mais de 65 anos lutavam para aprender novas habilidades, 25% dos respondentes com idades entre 18 a 24 anos e 15% do total de entrevistados concordaram que “é normal ser infeliz e deprimido quando se fica velho”.

Respeito a todas as idades

Os pesquisadores acreditam que as atitudes negativas se devem à crescente medicalização dos idosos e à crescente indústria antienvelhecimento que promove e lucra com o medo de envelhecer que acomete a maioria da população.

No entanto, apenas no Reino Unido, as pessoas os idosos fizeram contribuições líquidas para a economia de quase 40 bilhões de libras (US $ 52,64 bilhões) em 2011.

Os perigos dos estereótipos

Estereótipos negativos podem ser perigosos para as pessoas mais velhas de várias maneiras, incluindo a redução de suas vidas.

Foram analisadas entrevistas com 660 pessoas de Oxford, Ohio, que foram conduzidas ao longo de mais de duas décadas e que foram combinadas com informações de mortalidade. Os pesquisadores descobriram que aqueles com uma atitude positiva em relação ao envelhecimento,  viviam em média 7,5 anos  anos a mais do que aqueles que o viam como algo ruim.

Os pesquisadores acreditam, que as pessoas com mentalidade positiva foram capazes de viver mais porque as atitudes positivas podem influenciar os mecanismos psicológicos, comportamentais e fisiológicos do corpo.

O pensamento positivo pode melhorar o comportamento, levando as pessoas a se envolverem em estilos de vida mais saudáveis, como o exercício. A positividade também pode melhorar a saúde mental auxiliando no  enfrentamento do estresse – contribuindo para a evitar a perda de memória e a atrofia cerebral.

Um estudo feito na Irlanda ao longo de 30 anos, observou que as condições mentais, como depressão e ansiedade, eram mais comuns entre pessoas com ideias negativas sobre o envelhecimento.

Almoço com amigos

Um estudo feito em Baltimore, que começou em 1958, perguntou aos participantes sobre seus pensamentos sobre o envelhecimento, esperando encontrar nenhuma conexão entre os dois. Mas logo descobriram que as pessoas com uma atitude positiva em relação ao envelhecimento, tinham menos doenças cardiovasculares, produziam menos cortisol – um hormônio do estresse – com o passar do tempo, e os resultados da autópsia demonstraram baixa incidência de demência.

Países de alta renda são países altamente industrializados e a industrialização tende a desvalorizar pessoas mais velhas,  as sociedades rurais tradicionais também tendem a ter maior respeito porque os idosos podem continuar trabalhando por mais tempo e são mais valiosos para a economia.

As políticas de aposentadoria fazem com que os idosos pareçam menos valiosos para a sociedade e para a economia de um país, segundo os cientistas.

Japão, Coréia do Sul e Argentina são os três países com classificação mais baixa no que diz respeito a valorização dos idosos, de acordo com a Pesquisa Valores Mundiais  realizada entre 2010 e 2014, apesar de suas grandes populações idosas. Essas estimativas de respeito – registradas em 2014 – pintam um quadro variável de percepções.

No Japão, por exemplo, os homens de meia-idade, que eram tradicionalmente valorizados, agora são vistos como tendo perdido sua honra e valor na sociedade.

O relatório do Reino Unido descobriu que a maioria das crenças em torno da idade é formada aos 6 anos de idade. Uma vez que o preconceito é aprendido, muitas vezes é muito difícil desaprender.

Para muitas pessoas, os estereótipos que eles absorvem persistem mais tarde na vida – e então começam a aplicá-los a si mesmos. Isso significa que estereótipos de idade negativos estão embutidos em grupos de todas as idades.

Retrocedendo o relógio de 200 anos, os pesquisadores descobriram uma mudança nas atitudes em relação aos idosos em 1880.

Foram  analisados sinônimos para a palavra “idosos” em um banco de dados de 400 milhões de palavras incluídas em uma variedade ou fontes impressas dos últimos dois séculos e descobriram que 1810-1879, o conceito de envelhecer foi visto positivamente no Estados Unidos.

Então, de 1880 em diante – no meio da industrialização – as pessoas começaram a ver o envelhecimento como algo ruim. Os pesquisadores sugerem que o aumento do número de pessoas com mais de 65 anos foi associado ao aumento das crenças negativas em torno da idade.

Ainda assim, permanecem muitos países onde os idosos são vistos como uma parte valiosa da população e merecedores de respeito.

A Geórgia, o Uzbequistão e o Catar foram os primeiros colocados na pesquisa de valor mundial quando perguntados se pessoas com mais de 70 anos de idade seriam vistas com respeito.

Mentalidades positivas sobre a idade têm impactos muito positivos sobre os idosos.

Um estudo realizado em 2018,  descobriu que as chances de demência podem ser reduzidas em 49,8% se uma perspectiva positiva for mantida. As pessoas mais velhas com pensamentos felizes também se mostraram mais rapidez na recuperação  de eventos cardiovasculares.

Em 2016, a OMS reconheceu a necessidade de o etnismo ser abordado globalmente e destacou que o preconceito de idade (ageismo)  pode ser mais difundido do que o sexismo e o racismo.

E os pesquisadores acreditam,  uma das soluções para reduzir o preconceito de idade é integrar as gerações.

Começar com crianças pequenas e incentivar a diversidade no local de trabalho para combater o preconceito de idade são algumas  estratégias que os pesquisadores recomendam.

Precisamos ver nossa vida como uma trajetória. Cada etapa é importante.

As pessoas devem se preparar para o envelhecimento e fazer mudanças em suas vidas agora para expandir os anos de boa saúde, disse ele. O exercício físico e a nutrição foram os fatores mais importantes associados a longevidade.

O aumento da  população idosa é a mudança mais forte e mais importante que ocorrerá no mundo nos próximos 20 anos. Quando o envelhecimento vem, pode ser algo maravilhoso, se estivermos nos planejando para isso.

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