A ciência do envelhecimento é um campo relativamente novo, e há muitos mistérios ainda por descobrir.

Certos marcadores genéticos identificados por cientistas se correlacionam com o envelhecimento, no entanto como eles se comportam, em uma população e os fatores que podem influenciar este processo, ainda não são totalmente compreendidos.

​Em um esforço para descobrir mais detalhes sobre a base genética do envelhecimento, uma equipe de cientistas da Universidade de East Anglia (EAU), Reino Unido estudou as características genéticas de um grupo de aves as espécie ”Toutinegras Seychelles”.

​A equipe investigou o papel, da endogamia sobre o envelhecimento celular destas aves.
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O tamanho pequeno da população Toutinegra nas Seychelles foi uma característica ideal para o estudo da endogamia. Porque a ilha é isolada geograficamente, as aves ficam confinadas e não interagem com populações de aves de outras regiões.

Estima-se que 5% destes pássaros, tomem como companheiro de acasalamento parentes de primeira ordem (pais, irmãos ou filhos).

O estudo – Envelhecimento e Telômeros
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Os telômeros são complexos DNA-proteína encontrados nas extremidades dos cromossomos, que protegem o DNA da degradação. Devido à observação de que seu tamanho regride ao longo das duplicações celulares até um tamanho mínimo que interrompe a proliferação celular, criou-se a hipótese de que o telômero funcionaria como um relógio biológico celular e seria um dos fatores responsáveis pelo envelhecimento.
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Cada vez que uma célula se divide, o telômeros ficam mais curtos, e, ao longo dos anos, os telômeros lentamente diminuem de tamanho. Quanto maior a idade, mais curto ficam os telômeros de proteção, telômeros encurtados estão associados com risco aumentado de doenças e diminuição do tempo de vida do indivíduo.

Pesquisadores referem que o comprimento de telômeros funcione como um relógio biológico a determine do tempo de vida de uma célula ou, na verdade, um indivíduo. Os telômeros ficam nas extremidades do DNA (material genético que dá origem as nossas células), funcionam como uma tampa que protege o DNA, mas a medida que envelhecemos vai se encurtando, pois absorvem os danos sofridos pelo nosso corpo ao longo de nossa existência.

​O comprimento de telômeros pode ser afetado por inúmeros fatores, incluindo o tabagismo, a obesidade, poluição e o stress. No entanto, em um estudo recente, pesquisadores acreditam que a consanguinidade pode ser um fator que pode reduzir também o tamanho dos telômeros.
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As aves Toutinegras Seychelles e seus telômeros

A equipe de investigação, liderada pelo Prof. David S. Richardson, estudou os telômeros de aves da espécie toutinegras Seychelles (Acrocephalus sechellensis) na ilha Cousin. Ilha pouco habitada por seres humanos, mas com uma grande população destas aves.
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Ao longo de 14 anos, a equipe estudou 1064 amostras de DNA de 592 aves. Durante toda a duração do estudo, as condições na ilha – como o tempo e disponibilidade de alimentos – foram monitorados continuamente.
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Os resultados, foram publicados na revista Molecular Ecology e mostram que as aves mais puras (produto de acasalamento entre parentes) tinham telômeros significativamente mais curtos; Eles também observaram que essa redução foi mais pronunciada nos momentos de estresse, por exemplo, quando o alimento era escasso.
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Animais endogâmicos (frutos de cruzamento entre parentes) são mais suscetíveis a doenças ou pouco desenvolvidos, porque eles não têm muita variação nos genes que carregam, apresentando desvantagem em relação aos animais frutos cruzamento sem grau de parentesco.
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Neste estudo outra característica pôde ser observada. Se a mãe foi produto de cruzamento consanguíneo os filhos também apresentaram telômeros mais curtos. Isso pode ser explicado porque as mães (puras) foram menos capazes de fornecer aos seus filhos um bom nível de cuidados, quer durante a fase de incubação do ovo, ou na alimentação deste pássaro quando jovem.
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É um desafio compreender o impacto da endogamia em uma população. Os seus efeitos podem ser mascarados por um número de fatores, incluindo a qualidade do seu habitat e alimentação.
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Esta pesquisa é particularmente importante, para o estudo das espécies que estão em declínio, ou risco de extinção. Para alguns animais, programas de reprodução em cativeiro são a sua única salvação, e se formos capazes de monitorar os efeitos da endogamia sobre o envelhecimento precoce, este fato poderia ajudar os cientistas a proteger as populações em risco à fim de propor soluções para melhoria da saúde e longevidade.
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Fonte: http://www.medicalnewstoday.com/articles/310377.php

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